terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Saravá virada... Revirada constatação...



Para cada batatinha q nasce zilhões de baratas renascem, no bater de palmas, esparramadas pelo chão. Taças brindam anunciações. 

Todo ano aparece de vestido novo. Sobre o tom a cor do ovo de algum Colombo.

Se o galo canta a galinha faz eloquente defesa dos pintos. Bate asas, cisca, mas não voa. O passarinho voa. Não à toa a barata tbém. A diferença está no teor da loa, no verso em q se ecoa a busca do sentido, sem noção de direção.

Quando a cegueira é febre o dedo acusa a justa causa e o q causa comoção.

Por uma questão lógica, e não semântica, sete são os dias da semana. Por alguma reação ilógica renovam-se as esperanças. É comum ver branca de neve mimada “botando a banca”. No fio da navalha, toda mijada, vara nas madrugadas de seus anões.

Em sendo o q se pensa, é melhor repensar se compensa modificar o estatuto da criança. Seria mais razoável ajustar a tara da balança. Enquanto alguns enchem a pança, a besta encurralada descansa o peso de suas desculpas.

Na transfusão de gangues as alianças favorecem algum cristo metido a redentor. No alto do conglomerado ergue o braço e, politicamente repete corretamente o nome do libertador.

A borboleta faz pirueta no ártico. Bem sabe q nem todo pagode é russo. O q esperar do amigo urso?

Nas malvinas não se dança tango. Filho de peixe sempre foi coisa para inglês ver. Nas barras da saia de buckigham Cristina mantém o luto sem perceber q a faca tem gumes.

Todo benefício legal tem seu lado impróprio para o uso. Como afirmar q o ano é novo, se ninguém sabe o q acontecerá na próxima estrofe?

Nos dias de hoje todo senso é crítico para o sensor defensor do próprio umbigo. Até amor q fica critica abertamente a liberdade q não se cria.

Com o rei de paus nas mãos a dama exibe o valete com todas as honras. Em uma orquestra de câmeras a sereia ilumina o rabo na cama. Nem com o estardalhaço dos contraltos ela desafina o timbre de seu afamado recato.

Nos barracos da cidade o sonho de consumo é consumido no estampido. No asfalto iluminado festeja a própria ineficiência, prestando continências ao seu agressor.

Bendito fruto q se gerou...


domingo, 29 de dezembro de 2013

Ponta de unha... Cachaça brejeira...



Quando tomou a rasteira acreditava ser mestre na capoeira. Com instinto escaldado, no pulo do gato saltou de lado.

Do outro lado beijou a lona e a rama com ternura brejeira.

Apesar da aparência não havia zona de desconforto. Ali a atriz não se valia de ardis para compor suas máscaras. No máximo disfarçava, nas curvas, a exposição exagerada de algumas carnes a mais. E nada mais. Nada demais para quem sabia lidar com o movimento das dunas.

No mais costumava jogar runas, mas, por via das dúvidas, perfumava os atalhos de suas linhas costeiras.

Sem prescrições draconianas desatou, com a ponta das unhas, os nós e fricotes dependurados no decote de seu vestido surrado.

Não entendia nada de Kant ou discorria sobre teorias freudianas, mas sabia ser sacana como ninguém.

Seu único segredo era interpretar a si mesma...


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ratos e urubus... Recorte e acordes...




Toc! Toc! Toc!

Na sinuca de bico o bater da porta deu imbróglio no umbigo.

Folheando suas últimas páginas deu saudades de quando escrevia e respondias com sinais de approach. De lá para cá o tempo desgovernou. Na flor q beijei flori. Teci. Assuntei. Revivi. Resguardei parte de mim. Com o q restou de ti fui por aí...

Toc! Toc! Toc! Insistiu pausadamente o ano novo.

- Percebi q mexeu no blog. Reli teus comentários. Revi meus sonhos. Etc... Etc... Etc...

Eteceteras acendiam Maria da luz Açucena. À caminho das índias o ciúme mudou o buquê de seu perfume.

Cantei Maria Helena toda vez q toquei seus cabelos negros. Naveguei "la barca" na águas cor de jabuticaba de seu olhar. Quando descortinei minh’alma pulei sete lagoas. Dancei valsas imaginárias sobre a neblina, em garoas ao te abraçar nas esquinas.

- Desconfie de quem se emocionou com os favelados de Joãozinho Trinta. Desconfie do jeito q se conserva a Amora. Lembre-se de manter a Aurora abaixo dos 30. Acima disso, caro amigo, o parafuso rosqueia o q resta de juízo.

Onde o sol nasce gaivotas bailam sem disfarces. Cromossomos denunciam o q somos. Bendito seja teu fruto!

Beijosss da sempre menina Mae West... PS: No post, please!

Oh very young! What will you leave us this time?

- Seu garçom faça o favor de deixar a cadeira vazia...





Maria Helena é uma canção de Francisco Alves.
La Barca, composição do cantor mexicano Roberto García.
Joãozinho Trinta foi o criador do enredo “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”, da Escola de samba Beija-flor de Nilópolis, RJ.
Mae West, de tantos montes sudoestes, atriz norte-americana, cujo verdadeiro nome se esconde em “Oh very Young”, de Cat Stevens; com exatos 37 acordes de “Cadeira Vazia”, de Lupicínio Rodrigues, cantor e compositor gaúcho.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bordados e abordagens...



Com palavras de fino recato bordava nuvenzinhas algodãozinhas, todas azulzinhas, na barra da saia. Com receio dos furos e dos perjúrios escondia seu delator no dedal.

Sem passe livre no passado coloria o futuro com lápis labial Dior. Dentro da bolsa outros guardados. Bordados e abordagens. À luz da janela um gato de olho na estrada. Por trás da cortina o semblante desconfiado.

Escrava de um amor próprio e cego, de olhos fechados escorava fins de tarde em postes sujos de porra. Ao voltar para casa passava escova na roupa. Nas coxas ensaboava saudades.

Viveu preservando a imagem da santa, com a flor da idade nas mãos...




Montagem feita em obra de Pieter de Hooch, pintor dos países baixos.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Branca na neve... Travessa latinidade...



Respiro su buenos aires. Nos caminhos del libertador San Martin me segura pelo braço e alerta: - no se deje engañar, no hay Moisés que parta los amares, ni fantasía que distrae la ansiedad que llevas contigo.

Na marina del sol observo seus anzóis a catar ventos. Tomo banho na lua q descreves. Penso alto. Esmiúço travessuras. Branca como neve declamas faceira receitas de pirlimpimpim.

A travessa besuntada com fina prata reflete sua verdadeira face.

Na costa incidental o rio margeia ladainhas, tanguerias ribeirinhas e sinhaninhas estendidas no varal.

Suspiro qdo esbelta cruzas la calle. Latinidades ardem em suas carnes.

Coisa mais linda é seu rebolado, tão cheio de asas, a passarinhar...




Composição misturando grafite da estação de Tropezón, em Buenos Aires, e seu rebolado cruzando a Borges de Medeiros, em Porto Alegre, no rio grande q banha o sul do Brasil.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Uivos de lua... Banhos de mar...




Essa noite acordei no uivo da lua.

No começo baixinho, misturado ao burburinho, no balanço das ondas revirando areias costeiras do lugar. Levantei de onde estava e segui às cegas em sua direção. Beirando curvas deixei rastros para q ela pudesse me encontrar.

Conforme fincava os passos vi meu corpo riscado, por todas as partes, no seu dorso perfumado: no compasso de seu uivo, cada vez agudo, cada vez mais alto.

Essa noite ela me banhou. Depois fez estragos...

Quando, mais tarde, o sol acordou preguiçoso a escondi em meus braços. Adormeci com sua luz colada ao peito. Revirando na areia seu cheiro me fez, outra vez, sonhar...


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pedra que afunda... Davi e golias...



Pronta para o arremesso engoliu os derradeiros dias de sua inútil agonia em paz.

A espera do inesperado, cética de amor, desejou o encontro q a arrastasse pela vida; muito embora o agora fosse a sede do beijo q nunca saiu de seus lábios.

Duzentos e tantos membros em suas mãos. Uma coleção de manhãs e uma delicadeza cansada de começar do zero, todo santo dia...


Jealousy curtume... Assobio de ciúme...




Agora o mundo é “selfie”.
Valha-me! Até Obama
achou bacana surfar na onda.

Na flecha preta do ciúme
Tanta gente canta. Tanta gente rala.
Algumas esticadas no curtume.

De noite ouço lennon na cama
Fico pensando: Michelle, ma belle,
temos Denilma na casa branca?







Assobiando “o ciúme”, “de noite na cama”, de Caetano, adormeço ouvindo “michelle”, de Lennon e McCartney

Selfie é um neologismo do termo self-portrait, que significa autorretrato. Foto tirada pela própria pessoa com um celular e compartilhada na internet.

Denilma Bulhões, ex-primeira-dama alagoana que, segundo se noticiou, batia no marido com uma toalha molhada.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ave suicida... Rebuliço de saia...



As mãos descascam a pele
No vão do rebuliço
o quadril roliço provoca
Enxurrada no vinco da calça.

Eleito o réu e o pleno
a mão suicida flutua obscena.
Por entre fendas
a cobra cria asas.

Depois de tanto fuçar
a dor corrompe o prazer.
O amor se declara
no cheiro de corpo suado.

Denunciados
Até a última instância
Voam belos, em paralelo,
sem bater asas...






Pinceladas sobre o quadro “Lovers in a red sky”, de Marc Chagall

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Linha às avessas... Estilhaços de baião...



Caminhava sobre pedras arremessadas.
Sabia q o silêncio além de não levar a nada
abria a vala onde enterrava a outra face.
Justo a q faltava para a moeda rodopiar
no cimento armado, lépida, por inteira.

No girar do carrossel senhorinhas faceiras
montavam dóceis cavalinhos estáticos.
Quem fugisse à regra era posto de lado
como reza o costume barrado no baile
que antecedia o domingo dedicado ao Senhor.

Por todo lado ecoava sons de estilhaço.
Vitrines protegidas por tapumes escondiam
os rastros de ternura amordaçadas na esquina.
Um misto quente ardendo goela a dentro.
Um suco de fúrias a liquidificar a dor.

Longe das vitrines se oferecia em cultos
devotados ao oculto devasso e embriagador.
Contrariando o roteiro grudado no espelho
enfiou as mãos no decote e tocou os seios.
Pela primeira vez o silencio se revelava mortal.

No dia seguinte as vitrines continuavam arrumadas.
Do mesmo jeito as pedras seguiam sendo atiradas.
No inferno não se repara no corte do terno
ou nas adequadas linhas pinçadas no tailleur...

Naquela noite quebrou a travessa de arroz doce...


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Lição de ótica... Ilusão de ética...



Regada a regalos a poesia aduaneira floreia jardins, jardineiras e roçados.

Na pedra do rosário o passo acelerado da pátria causa rebuliço. No tremor a terra divaga sobre o precipício social. Em toques de flauta forja a fábula com alvissareiras palavras, notadamente as de boas lavras.

Propensa a tangos condena às farpas o q delata a fragilidade d’alma. Condena, mas fomenta a fauna com disfarces de fada. Só não se apercebe q a paga vem a toque de valsa, na caixa de sua ilusão.

Sem noção de aonde quer chegar esconde os sapatos com refinado status subliminar. N’est ce pa? Mademoiselle de incansável voejar... Au revoir... Comme sa! Comme sa!

A bordo do erário pudico saboreia petit gatoux. Na alcova de Almodóvar ensaia gestos vestais balanceados em buquês de Bordéus. O olhar art nouveaux não titubeia. Nem na hora de pestanejar.

Justiça seja feita! De olhos vendados é difícil tecer algum juízo ou saber aonde tdo isso vai dar...

Diante dos desmandos, por baixo dos panos Duran confidencia: “se pensas q pensa, estás redondamente enganado”.

De fato, salienta Duprat: na inclinação da curva é q se dimensiona a intenção do rebolado, a estatura do salto, a extensão do mandato...





Trecho incidental de "Hino de Duran", música q compõe a "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, baseada na "Ópera dos Mendigos", de John Gay.

A região de Bordéus, na França, é a segunda maior área de cultivo de vinhos no planeta.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Magical mystery tour...




Meninos e meninas cantam. Na ponta da língua traduzem o q dançam. No trânsito enlouquecido de vênus, se esfregam em versos na ponta dos pés. Na boca o gosto indecoroso de linguagem universal.

Seduzem à velocidade da luz. Galopam andaluz, fadas e faunos, à meia luz. Bem aventurados vendados beirando estradas.

No conforto das almofadas fazem graça. No meio da praça acalentam suas desgraças em valsas de andorinhas.

Meninos e meninas aprontam. Montam-se ou desmoronam conforme a relevância, a discrepância da pompa e a elegância circunstancial. Confrontando semáforos exibem semânticas. No sinal verde avançam, para alivio de seus fardos, no encantado reino onde habita o animal.

Aos beijos acompanham a banda. Bolinam buarques por todos os lugares. Redescobrem luares na palma da mão, passarinhando Quintana q não passa, meninos e meninas q são...





Magical Mystery Tour é disco trilha sonora do terceiro filme dos Beatles, lançado em 1967, no formato long-play.

domingo, 17 de novembro de 2013

Receita quase imperfeita...



Tinha amoras mundo afora. Caquis em cachos dependurados nos caibros. No alpendre uma serpente coral. Esquecida na prateleira um pote vazio de brilhantina glostora.

Tinha hully gully, pistácio, manchas do glory hole na gola. Lá fora escoras. Palavras inclinadas no crepúsculo desfiguravam a seda nas asas da lagarta. Cadelas a virar latas. Biscoitos de nata feitos pela mulata Dora. Carícias no suco de frutas colhidas nos arredores da aurora.

Tinha caixas abarrotadas de sonhos de todos os tamanhos. Inquietação na estação. Inquisição de sabor estranho. Enigmáticas receitas. Estrelas de Madagascar.

Tinha o luar. Bilhetes debaixo da porta. Broches nos seios deboches. Cremes deleites no rosto. Varizes, valiseres... E o olhar hipnotizado no exuberante camafeu...








Hully Gully: dança da década de 60 inspirada nos ritmos e movimentos negros do início do século XX.

Glory hole (buraco da glória): buraco feito na parede para as pessoas praticarem sexo, anonimamente, utilizando os dedos, a língua e o pênis.

Glostora: Marca famosa de brilhantina na forma de pomada usada para modelar o cabelo. Da década de 50 até os anos 70, era responsável pelos impecáveis topetes dos fãs e cantores de rock.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Rainha no bolo... Cerejas do mar...




Entres cerejas sereias em mim. Serei meu princípio em teu fim?

Vermelhas meu olhar no desfrute do teu olhar fruto de pitombeira. Furtiva semeias teias nas veredas antropófagas destes mares tropicais.

Sem modos serpeias libertina no latejar das veias. Sapateias irrequieta ao som de satânicas trombetas. Nem percebes, mas falseias ao despir as meias.

No pomar de tantos sabores teu olor mistura-se às flores. Henriqueta assenhoras a noite vestida de lua cheia.

Primaveras meu quintal. Fagulhas a granel nos montes de tuas oliveiras. O olhar brilha. O corpo vibra. Brisas margaridas deitada no para-brisa. Com estranha generosidade expões tuas entranhas.

Assanhas entre colchetes. Vens à tona. Reinas no mar.

Sob o efeito de teu perfume respiro outros mundos. Pelas janelas transbordas caudalosa. Abro as asas. Meus demônios te agradam. Devoras-me o qto podes, senhora, fora de si.

Quando dou por mim te vejo sorrir, a despertar infâncias à sombra da aurora...







Henriqueta Maria de França foi uma rainha-consorte de Inglaterra, Escócia e Irlanda. Por ser católica era impopular na Inglaterra, o q impediu que fosse coroada. A execução do rei Carlos deixou-a na pobreza. Fugiu para Paris, regressando após a volta ao trono do seu filho mais velho. Tempos depois retornou a Paris, onde morreria.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Apócrifos diálogos póstumos... (1)




Meu Diego,

Assisto calada ao estigma deste câncer q se espalha e me desintegra a cada instante q passa. Já não tenho dúvidas. Sequer carrego esperanças. A escuridão espreita as poucas cores vivas mantidas escondidas neste meu corpo sem vida.

Meu olhar sorri com a ternura q ainda me conserva a lucidez. Lambo as derradeiras gotas do desejo nas lágrimas q escorrem pelo meu rosto.

Apesar de tudo me nego a encontrar a chave q abrirá a porta da minha indesejada morte. Meu ventre pulsa com a lembrança do teu sexo melado no meu licor. Nem o cheiro impregnado de teu cigarro impede a mão firme dessa saudade q me invade.

Engulo as noites cheia de vida e graça. Desgraça de vida. Logo agora q começo a me sentir plena. Quero vc. Mesmo q não seja para sempre...

Sua Frida

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Minha Frida,

Tua presença amarga me atiça. Salivo tua existência. Contraceno com tua dualidade. Pela janela vejo q a boca da noite não tarde em abrir. Será q te vejo surgir entre estrelas?

Ontem derramei tintas de prazer sobre meu corpo. Tomado de tuas lembranças abri feridas. Tens razão. Desgraça de vida.

Esparramado na cama pronunciei cada palavra q me levava até vc. Por favor! Peço q não desista. Insista. Frida minha, tbém quero vc...

Seu Diego




Correspondência entre Diego Rivera e Frida Kahlo encontrada em escavações feitas no imaginário. Uma forte corrente defende a tese das cartas terem sido encontradas em um baú resgatado no incêndio das lembranças. Na verdade pouco se sabe...

No devido tempo outras cartas serão postadas, na tentativa de registrar a inexplicável dimensão de um sentimento q soube romper fronteiras, mas se mostrou incapaz de sobreviver à própria existência...




Boa noite cinderela...



Deu boa noite à poesia sem a pretensão de decifrar seus mistérios. Abriu os braços às estrelas salpicadas na sexta-feira ondulada em paixões.

Ah! O amor... Bicho esquisito como grafia de doutor. Leque aberto de múltiplas filosofias e salvaguardadas ironias. Marco divisor nos afeitos ao efeito devastador da vara do pescador.

Deu boa noite à poesia com pequenos gestos e atravessou a linha do seu equador. Usava brincos de colher primaveras, blusa em seda fina de alças amarelas. Com o coração em frangalhos e seios em rebuliço semeou feminices pelos jardins da praça.

Meio sem graça brincou de amarelinha. Com a pele corada flertou a joaninha, sozinha, perdida na imensidão do verde em folhas. Era ela e ela. Vida pincelada em aquarelas.

Deu boa noite à poesia sem conter o q já não cabia em si. Sabia q em algum luar um olhar lhe seguia os rastros...



terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mano a mano... Punta del pie...



Como pretexto o texto beijou a tarde por toda tarde. Na ponta dos pés roçou a alma desconfiada.

Na ponta dos pés sentiu o corpo dançar sobre cacos híbridos. Desenhou linhas afiadas nos saltos rígidos.

Na ponta dos pés sonhou com rumbas. De relance exibiu na bunda riscos e sorrisos de garganta profunda.

Na ponta dos pés sentiu-se leve, com o corpo em febre viu um mundo a seus pés. Só instinto sabia lhe fazer feliz...




Montagem sobre quadro “La Rumba”, 1937, óleo de Antonio Sánchez Araújo, pintor cubano.


Blindados querubins... Sangue e pudins...



Noites sem fim. Notas afins bailam plácidas em águas repletas de camurupins. Na mesma toada seguem os pássaros em feliz revoada. Batendo asas cantam loas na ribalta, sem levar em conta a mudança das ondas, nem de q forma elas sacodem o barco no mar.

Assim é a vida no entre e sai das salas de visita. Do por do sol do Guaíba aos desvios de rota no lago Paranoá. A aparente transparência da luz chega a cegar. O olhar não enxerga o q se apega debaixo dos tapetes, tantos são os fogos de artifícios riscando o ar.

De nada vale limpar os chacras em banhos de rio, se o futuro é tecido de fios sempre deixados pra lá. Por mais q se desdobre em dar ênfase ao efeito nobre, a copa não satisfaz a quem dá duro na cozinha. Talvez seja coisa minha. Mas, se quiser, pode perguntar para dona Carminha...

Tem casos sem jeito. Não tem fada madrinha ou vara de condão q faça o soluço passar. Sede q se sente bem rente, sem conseguir localizar. Por mais q tente, não se sabe como vai acabar.

O maior erro do jeitinho brasileiro é não se dar conta q uma mão nem sempre lava a outra. Dois pássaros voando, salvo engano, é sempre melhor q um sufocado na mão. Com tudo à mão é comum esquecer-se do vento q sopra na contramão.

Vendam-se os olhos aos aspectos genuínos para prestigiar os interesses consanguíneos. Subestimam os efeitos da marola. Ora bolas! Procura-se a solução sem a compreensão da extensão do q vem pela frente. É surpreendente o estado demente das conclusões.

Como prever o q reserva o lado oculto do rosto q espera, pacientemente, o outro tomar chá de ervas na imponderável noite de sangue e pudins...







Camurupim: praia do litoral sul do Rio Grande do Norte, formada por grandes arrecifes. Nome de origem tupi, q significa peixe pequeno. De coloração prateada e escamas grandes, o camurupim é comum na costa norte do Brasil.

Influência incidental da música “Sangue e pudins”, de Raimundo Fagner, cantor e compositor brasileiro.


domingo, 27 de outubro de 2013

Colher de pau... Nordeste vegano



Encostas firmes. Vigorosas
Ponta de dedos cravados
Entrelaçados em costas...
Carnes expostas ao sol, às sedes,
redes em um mar de rosas.

Enfurecida, a natureza sacode.
Lambe fendas, oferendas na rocha.
Eclode nua. Na pedra dura explode.
Fornica. Festeja. Lampeja.
Piruetas em repentinas ondas.

Não espanta tamanha força q suporta
a trama, a sanha, o mar descontrolado
que arde, bate, espraia, vai e volta.
Coabitar desfigurado... Reviravoltas
no pulsar da veia horta...

sábado, 26 de outubro de 2013

Punhal berimbau... Camafeu pagão...



Olhar leviatã, azul imã de luar turquesa. Beleza poética. Magnética luz burlesca de dialética francesa. Madre de cios, em beiras de rio se faz presa do deus vadio estampado na face oculta de seu broche.

Musa indecorosa arrasta-se com seus fantasmas em margens opostas com sibilar de cobra. Na linha silenciosa de seu decote arma o bote. Com o mesmo deboche se posta felina. Só baixa a guarda qdo aguarda e se afaga em dulces gracejos de corar messalina.

No q transpassa os olhos da máscara esquece a rima. Pele cítrica laranja lima faz mímica no corrimão. De cócoras urina na própria sina, com ar angelical, cheia de más intenções...


domingo, 20 de outubro de 2013

Origami...



O q preciso
É precioso
Gozo de vida
Submissa a tudo
Que é Majestoso.
É vice e versa
E o q versa
Entre linhas
Sem o limite
Do contorno.
É sintonia
em alvoroço...


sábado, 19 de outubro de 2013

La Goulue... Bom-bocado e arrecifes...



Em ti floriu minha natureza mais generosa. Alma desgovernada amarrada a feixes de fetiches, bom-bocados atracados em teus arrecifes.

Debaixo dos véus vislumbrei meu tão esperado céu. Em tuas ancas dancei cirandas. Fiz miçangas com os anéis de teu saturno.

Viajante noturno. Poeta embriagado e sem bússola. Enxerguei-me no espelho q trazias escondido entre seios oferecidos no vistoso decote de tua blusa.

Assim te povoei e me levei por tudo o q via e pelo q apenas intuía. O q não morava na filosofia corria campo sem rima. No galope crioulo em galpões nativos. No fogo farto de égua fogosa. Nos versos de prosa parida na paixão.

Sem noção do exato ponto de partida, nem rota definida, dependurado em galhos, qual macaco demonizado, me enfiei em tuas mãos, com as minhas em tuas cumbucas.

Noites iluminadas por indecorosas propostas arranhadas em tuas costas. Noites expostas aos delitos. De olhar aflito enfeitiçado pelo aroma de tuas folhas de árvore frondosa.

Eras formosa como tudo q goza. No corpo, no botão em rosa, o ponto de fusão entre o masculino e o feminino. Inferno e paraíso. Afago rabiscado no guardanapo levado pelo vento. Punhal rasgando a poesia de uma canção em dois tempos.

Em tempo: Não havia casa. Não havia jardim. Havia vc em mim...






La Goulue. Apelido dado a Louise Weber, popular dançarina francesa de Cancan. Destacou-se entre as dançarinas por levantar as saias, deixando à mostra suas rendas íntimas. Tinha por hábito beber o conteúdo dos copos dos fregueses, o q lhe valeu o apelido de "gulosa".

Bebop é uma corrente do Jazz originária do Kansas, EUA. Sua melodia ágil e veloz se assemelha ao som produzido pela batida de martelos na construção de ferrovias.

No final, incidência musical de “Uma canção em dois tempos”, de Vital Farias. Compositor e trovador nascido em Pedra d'Água, município de Taperoá, estado da Paraíba.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Corredor da morte... Grunhidos prima-dona



Debaixo dos lençóis Carla grunhe em sonhos de um amor em chamas.

Debaixo da cama sapatilhas descansam o andar dedicado à prima dona.

A febre sacana cospe na face a lógica da lhama. Em guarda aguarda a tapa. De soslaio oferece o sorriso e o dorso. De um jeito peculiar, igualmente primoroso, se faz montaria. Braços estendidos em cordéis de famintos se autoproclama rainha das ramas.

Com voz trêmula se expõe à prova. Desafia-se em venturosas romarias. Suas carnes moídas confessam pecados.

“Esquecerei as lágrimas e dançarei. Queria que aquela época abençoada tivesse sido mais longa do que foi.” 

Em clarins desperta poesias. Algumas dedica às estrelas q espiam sua nudez na janela.

Em um estranho dialeto - q diz ser mandarim - a boca da noite lhe suga o corpo. Estremecida esquece os percalços e, de pés descalços, me chama.

Debaixo dos lençóis Carla afina a voz e os anzóis em q sangra...






Trecho incidental da canção “Afternoon”, de Carla Bruni, cantora e compositora franco-italiana.


sábado, 5 de outubro de 2013

Mistura em gotas d'água...



Tomava banho sonhando primaveras. Levada pelos ventos, dessa vez tomou seu banho de um jeito diferente, inconsequente, sem aparente razão de ser.

Na verdade nunca quis decifrar equações. Menos ainda se apossar das razões. Queria, sim, embriagar de emoção, sua única razão de viver.

No corpo ensaboado sonhos multiplicados. Sentidos teclados em canções sussurradas, em novelinhos. Órgãos divinamente oráculos. Composição harmônica. Arranjo afinado à orgástica valsa tocada em nome do Senhor.

Com sorrisos de tesão conspirou com os astros. Ainda molhada deitou seu corpo. Fatal postura fetal. Olhos fechados em tanto lume, sem a certeza de nada, e ainda sonhando com valsas se aventurou.

A felicidade tinha seu perfume...




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Uns zuns...Outubros em outros...


Amai-vos uns aos outros.
Eu, tu, eles e elas... E os outros?
Eu ando. Tu chamas. Ela difama.
No 'nós', a sós, quem faz drama?
- Amarrai-vos sem medo da lama!
Disse o catador de caranguejo,
sujando o corpo da dama.
Eles debatem, até se batem,
mas sabem q amar é chama...






Com a legítima intromissão de João, capítulo 15, versículo 9

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Catolé de Chico... Cafundó de Baudelaire...



“Deus é o único ser q, para reinar, nem precisa existir”. Baudelaire


Se Baudelaire tivesse nascido em Catolé dos Rocha da Paraíba, teria aprofundado sua teoria sobre as flores do mal. Com isso, quem sabe, encontrado o motivo de ser no talo q rosa exibe seus espinhos.

Teria tido “tenência” e a devida paciência de medir os passos antes de entrar na valsa de Serafina. Rapariga fogosa e lenheira, q passava o tempo alimentando fogueira. Dadivosa, mas perigosa, igual rasteira de cobra em lomba na noite sem lua.

Se acaso tivesse criado calo em cabo de enxada, saberia amarrar piaçaba em rabo de cadela atrevida. No lugar de um “ondêroque” entornava a “mardita”. No banho de bica lavaria a “pica” em boca de fêmea parida.

Bendiria casa de chão batido. O sabor do leite mamado em vaca de juízo encardido.

Rodava o mundo no rela bucho. Pinote de garrote em cangote de puta grã-fina. Encheria a cara de rima. Faria toada, gargarejando embolada, com tocador de chamamé. Decifraria a filosofia de "tomé com bebé" e a utilidade pública da “otoridade” do cabo zé.

Se Baudelaire tivesse ajustado a batida dos sinos. Quem sabe mudasse a senha, a reza e a sina. Teria dado ouvido a Silvio Brito. Escutado Chico César dizer o q fazer para tocar o coração de uma mulher.






Baudelaire foi um poeta francês considerado um dos precursores do simbolismo, fundador da tradição moderna em poesia. Em 1857 lança o livro “As flores do mal”, com 100 poemas. O livro é acusado de ultrajar a moral pública.

Chico Cézar é um cantor e compositor brasileiro, nascido em Catolé do Rocha, Paraíba

Silvio Brito é um cantor e compositor brasileiro, nascido em Três Pontas, Minas Gerais


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O bardo e a fada...



Prelúdio para um amor amigo, entoado de bom grado ao pé do ouvido. Colorido em cadernos de desenho. Rabiscado com carinho ao redor do umbigo. Sem prévio aviso, amigos e amantes, se penetram de um jeito inevitável, onde jamais foi sabido.

Por vezes tocam-se deuses. Noutras se desculpam, engalfinhados em linhas tortas q os seguram e desalinham.

Beirando camas dançam cirandas. Em beiras de calçada exibem suas almas nuas. Provocam o tanto q podem. Arriscam-se, enquanto fodem, às tentações, emaranhados em entrelinhas.

Liberdade só é tormenta para quem cega os sentidos d’alma. Ser é essencialmente ao q se exala.

Assim comungam crenças e desavenças, debruçados no mundo à parte q partilham. Festejam livres atlântidas. Por onde passam provocam vertigens. Nadam além do subscrito nas quatro paredes. Além dos sorrisos desconhecidos exibidos em porta-retratos e bilhetes silenciosamente dobrados, guardados entre livros.

Desacatam a ordem. Subvertem a arte. Só não descartam viver. Tabus são substantivos construtivos.

Quando pensam chegar ao fim da linha, costurados tal sianinha, se aninham em contos descritos nos sonhos fantasiados de fada.

Descobridores dos próprios mares, amigos e amantes, transitam por vênus e marte, quem sabe, até q a morte os enlace... 



sábado, 28 de setembro de 2013

Tango sem tragédia... Clarinete de Eva...



Recital em cordas. Corpo q se toca em outro diapasão. Alma q se entrega não nega. Fecha os olhos à vara de um violoncelo q se esfrega cego de paixão. Submissa voz aveludada, contorcida em árias compostas a quatro mãos.

Na revolução dos sentidos visões de um paraíso em livre decomposição. Desfiada na carne rija, a pele em vibrato dita à medida inexata da imprevisível percepção.

Viés virtuoso de um barroco amor barato. Prazer desregrado, livre de pecados, debulhado em versos e tantas outras provocações. Virtudes q se exaltam. Atributo q se encaixa na boca macia de gueixa. Olhos arregalados, sem queixas, degustam sua extrema unção.

Amor incolor. Mistura de prazer e dor. Amor coberto de defeitos. Algoz de si mesmo. Amor refeito em um mar de cordas, para espanto de maragatos e chimangos.

Acorrentada às tragédias, só dava trégua qdo su’alma refestelada dançava um tango..





Maragato: nome dado aos sulistas que iniciaram a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul em 1893, em protesto a política exercida pelo governo federal, representada na província por Julio de Castilhos. Os maragatos eram identificados pelo uso de um lenço vermelho no pescoço.
Chimango: termo depreciativo dado aos governistas do PRR. Os chimangos eram identificados pelo lenço branco.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Bilhete...



Depositei ramalhetes
Sobre o bilhete teu perfume
Tinha sabor de sorvete.
Ao ver-te só restou solver-te...







Interferência sobre pintura de Pierre Auguste Renoir

Fio de seda... Beco sem saída...



Noite escura. Becos sem saída. 
Sede de vida sem endereço 
solta nos berros de beirar loucuras.

Rastros de serpente na areia quente 
denunciavam uma vontade náufraga revirando 
o colo em brasas num mar de lembranças.

Esperança mantida o tempo 
de uma noite bem fodida, logo
diluída no suco da manhã. 

Já não havia questão, mto menos
 ilusão de encontrar a cura. 
Noite escura. Becos sem saída. 

Com boas doses de loucura 
saiu à procura de quem não fizesse 
perguntas para suas tantas respostas...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ora direis haver poesia...


Amanheceu outra vez
Como vem amanhecendo os dias.
Entre um verso e outro, disperso
Lençol marejado, no corpo emaranhado,
Adormecido não ouve seu bom dia.
Lágrima em olhos alheios é poesia...


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Menina rosa... Pé de alfarroba...



Vestia rosa para sonhar azul.
Pela manhã limpava as janelas do quarto
Na tarde passeava em canções de luar.
Com medo de o mundo desabar ficava em silêncio
Levada pelos ventos escrevia poemas de fazer voar...

Toc! Toc! Toque-me!
Sem retoques ou disfarces
Toque à vontade, com a força
de tuas vontades. Toc! Toc!
Provoque insanidades.

Suba a saia.
Sobressaia a rosa de teus ventos em mim.
Venha rasgando a roupa. Solta
Latindo cachorra... Levitando...
Dançando tangos com os demônios
Sob a custódia do teu corpo cetim...

Mata a saudade na pele cachopa.
Cravo vermelho nos lábios, carne roxa
Repousa meu gosto na tua boca carmim...

Vestida de sonhos a menina de rosa
colhia na paisagem vagens de alfarroba.
Toc, toc, toc... A realidade lhe batia à porta.
Desta vez deixou bater, sem medos...





Alfarroba: Fruto da alfarrobeira. Árvore originária da região mediterrânica, tbém conhecida por figueira-de-pitágoras e figueira-do-egito. Durante mto tempo a semente da alfarroba foi usada como medida para pesar diamantes. No antigo Egito eram usadas na preparação de múmias. Sua madeira, vermelha e dura, é usada na marcenaria.
Cachorra: Cadela ainda nova.
Cachopa: Moça dada a prosa
Montagem sobre quadro “little-red-riding-hood”, de Maren Jeskanen

domingo, 22 de setembro de 2013

Dominique nick-nick... Josephine a babar...



Montada no cavalo branco Josephine dava a César o q era de César. Dava até dignidade. Sinceridade? Há quem diga: por maldade. Napoleão, como se sabe, era bom nas partes. Aliás, se naquele tempo já houvesse seguradora, quem sabe seria mais relaxado. Só a desobrigação de esconder a mão em seu jaquetão engomado...

Jura? Nada a ver com a conjuntura?

Desconjura! Soninha era toda pura, mas poucos sabiam das maravilhas q ela fazia com as mãos. Por nada, não. Depois dos trilhos urbanos toda beleza pura merece uma séria reflexão. Nos termos legais, nada aparece demais.

Segundo os anais tanta nudez incomoda o déspota. Mantenha-se a insinuação. Na defesa da contravenção uma mão sempre lava a outra. Chega a ser convincente. Mas será q voga? Por maior q seja o interesse, não se revoga o voto aberto dado de toga.

Ninguém assume a culpa se a desculpa não cola. O secreto dependerá sempre da melhor proposta. 

Por quem os sinos dobram já não é imperativo. É preciso saber em nome de quem os cílios se desdobram.

A história é um manifesto contínuo de final imprevisível. Nem tudo é previsto. Nem tudo é visível. Vista grossa tbém passa no pente fino moral. Salvaguardados delicados desatinos e loucuras de carnaval, cada um carrega consigo seu enredo ideal. Conveniente. Teatral.

Um dia daremos conta q somos nossa maior afronta. Sublinhadas respeitosas discrepâncias, é na cama q se ajusta as contas e se negocia o provável dividendo. Vai vendo... Este, sim, o juízo fatal.

Abre-te sésamo! Ao tomar posse da senha Dominique garantira seu reinado. Sentada na rampa olhava os pampas, limpando os cristais embaçados e a estátua da santa esculpida em carrara. Cara a cara, no espelho, minha cara, quem se atreveria a falar de amor?






Montagem feita sobre “O êxtase da Santa Teresa”, de Gian Lorenzo Bernini

sábado, 21 de setembro de 2013

Hemisfério quinze... Bolero neon...



Negra seda q me leva. Noite q eleva. Tudo aquilo q não se enxerga, mas se traz entranhado n’alma. Envolve o corpo. Expurga agostos como se o gosto da primavera fosse o dela, como se dela brotasse as cores de todas as flores, como se libertasse o amor preso às correntes d’auras.

Tânia Alves sobe ao palco à meia luz. De humana só a poesia do seu corpo fada.

A escrita mímica o q a boca não fala. Finge sair por aí. Vai e volta por ali. Vida é coisa q não passa. Posto à contraluz o mistério q seduz é o mesmo q induz à falha.

Em câmara lenta acompanho seus passos. O perfume éter do reflexo do seu salto, pontiagudo e alto, me perfura o peito. Faz bolero no meu corpo tablado. Ligo o rádio.

Felicidade é um estado sem divisas. O fim nem sempre é ao fim do primeiro ato. Intervalos tbém são regalos.

Saio do clube. Dobro a esquina. Nem assim ela me deixa em paz...






Tânia Alves é uma atriz, dançarina e cantora brasileira. Atualmente em turnê com o show “A Era de ouro do rádio”.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Mae West... The Best...



Lua cheia.
Antes sereno, o mar esperneia
Percorre as veias
Sobe a nuca e desfruta.
É impossível conter.
Teu cheiro no meu querer
beiradeiro, é de enlouquecer.

O corpo inteiro tateia os montes.
A mão abusa. A blusa acusa
Vontade de viver.
Desejo, emoção inconclusa
A razão reluta. A alma se perde
O olhar te segue pelo cais
Sem direção...






Mae West nasceu em 1893, no estado de Nova York. Desde cedo trabalhou no teatro, atuando em espetáculos de variedades. Escreveu novelas e numerosas comédias, caracterizadas pelo tom frívolo e picante. Algumas interpretadas pela própria Mae no teatro e no cinema.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Parapeitos... Fatura exposta...



Derramava sobre as palavras o q havia de poesia. Beijava a loucura no calor de tuas pernas. Odes de alma aberta. Entre rios flutuava disléxico pelo cio reticente do teu sexo. Em tuas partes desvendava sotaques. Um prazer à parte. Algo q se repartia em alegrias degustadas no teu colo.

Saudade não é só uma palavra. É vontade de adentrar o verso. Teu cheiro desassossega o peito. Respirar lhe traz para dentro de mim.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Eleanor Rigby... Arias paraguaias...



Adentro a sala de desembarque cansado e grávido de um café e um cigarro. Em meio ao tumultuo vejo um figurino cafajeste de bicheiro. Na hora penso ser gravação da personagem Agostinho Carrara para o seriado da televisão. Que nada. Era o Ibrahim, em seu melhor estilo sóbrio etílico, fazendo o tipo olho vivo. Natural. Afinal, como se sabe, cavalo não desce escada.

Entre ele e eu um volume exagerado de malas circulava numa esteira abarrotada e ronceira.

Tamanho peso causava um estranho e incômodo desconforto. Razão pela qual questionava as motivações q havia para enfrentar um retorno. Nunca tolerei passivamente a existência de malas. Gênero universal de artigo indefinido e duvidoso.

Por isso não causou espanto ver o blog invadido, mutilado e rastreado pela insanidade, nada rara, desta espécime rígida da raça humana. Paro. Olho. Sigo em frente...

Dirijo-me até Ibrahim. Quem sabe me ajude a encontrar respostas.

Depois do trago no scotch, uma longa baforada. Só então, com a peculiar voz arranhada solta a fumaça e o veredito:

- Sorry, my friend. This is periferia humana. Quem não suporta a própria vida tem medo do q lhe espera em um espelho. Tipos assim só encontram alivio para seus martírios, fazendo análise ou bisbilhotando a vida alheia.

- O caviar está em falta. Posso servir mel de abelha?

Adentra a cena um assustado garçom. Pressentindo a reação q causaria sua inominável falha. Na tentativa de evitar a anunciada ‘esbórnia’ procuro mudar o assunto. Tiro o garçom de cena e deixo em segundo plano um ainda indignado Ibrahim.

Pela vidraça observo cores q passam apressadas entre o cinza e o azul. Só então me transporto monobloco beija-flor pelo tempo q ainda me resta. Outro tempo. Lugar sem contratempo. Luar sem nenhum contraluz a contrapor. Olor em combustão. Calor em profusão. Fio de lamparina devorando o querosene.

Na quermesse de São Jorge, Benjor cantou a pedra q um dia viria.

Bingo! Ai, ai caramba, olha eu aqui!

Volto pela assumida e abstrata necessidade de dialogar com cada átimo q me habita. Deslizar no ângulo em q o nariz empina e mergulhar no abissal de minha máxima loucura, em vida. Saludar con ámbar el sabor de la fruta. Hermosas putas q embarcan con sus barcazas en mi íntimo. Y si miran. Y mi miran, sin enbargo verme. Vivir los sentidos. Lo q hablo y vivo.

Sem portar fitas métricas, nem obedecer a falsas medidas. Sem vestir a pele animal das políticas corretas. Mas, sem descartar, em algumas árias, a bata cirúrgica do obstetra.

No mais, não vejo a necessidade de qq outro sobreaviso. Posto q a nada me obrigo. Trata-se de um blog pessoal, autodigestivo e intransferível.

Ainda assim peço aos intelectuais e eruditos - extensivo aos boçais e doentes mentais - a devida compreensão com quem escreve loas a toas. Com quem descreve a imaginação, sem a mínima pretensão de alçar a estatura de ilustres e reconhecidos imortais.

Relaxem! Meus maribondos não provocam tanto fogo...

Aos fingidos gêneros pudicos estendo generoso penico. Externando meu sincero lamento pelo comportamento bestial. Recomendo q sigam os normais.

Aos anônimos de sentimentos e procedimentos turvos, nos últimos tempos assíduos neste recinto... Admito: continuarei a ser o q, bem ou mal, entender. Não agrega e nem me faz diferença suas torpes crenças. E ressalto, sem sobressalto: continuarei a cantar àquela menina, a do Chico, com todos os dengos cabidos. Os descabidos tiro dos cabides e sirvo no mexido, com merecidos fuxicos.

Sem ladainhas ou clamor q o inferno me seja leve. Faz favor...

Há tempos nos servirmos um do outro, em comum acordo. Nele encontro à devida inspiração q me eleva aos céus, flutuante e leve. E adianto: É total perda de tempo esbravejar. Existem coisas q somente a uma pluma é dado o direito de saber. Ou experimentar.

Enfim. Nesse calhambeque sem breque ouso Roberto: só quero o q me aqueça neste inverno. E q tdo o mais, inclusive alguns q se sentem os tais, desejo, com o coração mais embaçado q parabrisa de carro na cerração, q descubram, desnudem e usufruam o fruto de seus infernos. De leve...

- Ademã, q eu vou em frente...
- Ça va, monsieur! Só não diga aonde vai. Corre o risco de alguém ir à frente, varrendo...










Eleanor Rigby - composição de Paul MacCartney, The Beatles, lançada em 1966, no álbum Revolver.

Agostinho Carrara - Personagem interpretado pelo ator Pedro Cardoso no seriado de televisão "A grande família".

Ibrahim Sued - (1924 - 1995) jornalista, compositor e colunista social brasileiro. Iniciou a carreira jornalística como repórter fotográfico, em 1946. Ganhou fama ao fazer uma foto em que o político Otávio Mangabeira parecia beijar a mão de Eisenhower, alimentando as críticas dos que combatiam o servilismo brasileiro em relação aos Estados Unidos. Como colunista social foi polêmico. Cunhou expressões que se tornaram bordões: "De leve", "Sorry periferia", "Depois eu conto", "Bola Branca", "Bola Preta", "Ademã que eu vou em frente", "Os cães ladram e a caravana passa" e "Olho vivo, que cavalo não desce escada".

quinta-feira, 2 de maio de 2013

No fundo do peito...

Emoção avulta
Pulsa arte avulsa.
Bate se debate reluta
Rebate alma reclusa...



Thanks Elton...