quinta-feira, 1 de março de 2018

par de deux de pardais...



Sem dar um pio.
Arrepios...
Ninho em flor no azul de céu sutil.

À luz das salinas o corpo trina
silenciosa rima pela coluna em espiral.
Liquido efeito rasante no pico.
O bico esquerdo do peito
em exclamações contínuas.

Por um momento o sentimento
tem a dimensão e a ternura
da faca ao fatiar a cebola.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

iletrados...



Enquanto escreves dou voltas em órbita das letras retas com as quais delimitas a distância providencial do trato habitual convencional.

Dos prazeres inseridos entre capítulos, registro e bendigo a força do teu sinuoso vocabulário. Nada mais falo. Há poesia no frio mármore. Há firmeza na leveza das palavras. Nada mais raro.

Enquanto escreves passeio pelo tempo divertido de teu verso. Copulo meus poros em cada ponto de teus pontos em vírgulas. Na mesma fluidez q enlaças o cio escorro pelo fio das meadas escancaradas.

No quesito relativo aos sentimentos.  Nem gregos. Nem troianos. Somente ciganos banhados do suor de nossas verdades infinitivas e inconclusas. Almas levadas impregnadas da poesia esculpida em carrara...



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Valete de Reis...



Cartas embaralhadas
Dons aos dominós sobre a mesa
Domínios de real delicadeza.
Cartas abertas fora da gaveta
Rotas do q brota d’onde a dona beija.

Bingo!? Melhor seria dizer: na hora q bater...

Sopro sem rumo fora do prumo
Estado sólido. Lógos lúdico
Estágio único de real grandeza.
Felicidade de Rei é ter a Dama
na trinca com o valete de paus...






Intervenção em Cartão Postal dos atores Billie Burke e Farren Soutar para o musical “The Belle of Mayfair”, Vaudeville Theatre de Londres, 1906

terça-feira, 4 de julho de 2017

Ego tripas... Tácitos eus táticos...



Quisera eu a lua fosse dourada. O sol uma bola maciça de intensas rajadas de prata. Batida em madeira de lei envernizada tivesse delay e som de lata.

Quisera eu todo pensamento torto fosse oco, e fundo de poço não ecoasse o nada. Quisera a noite pudesse amanhecer com a sede de quem adormece se sentindo amada.

Quisera pudesse enxergar o furo do ponto futuro, e, no escuro, tdo ficasse mais claro. Quisera eu compreender a verdade por trás das verdades no microcosmo das vaidades.

Quisera eu, mas, na verdade não enxergo nada.

Nem enxergo o germe causador da ziguizira nos primorosos caprinos; nem o verme q descama a cauda do peixe traíra na zona meretrícia da cama.

Enquanto isso, deitada confortavelmente na rede da chalana, Perla continua cantando índia...







Montagem sobre Iracema, tela do pintor luso-brasileiro José Maria de Medeiros
Perla é uma cantora paraguaia

domingo, 2 de julho de 2017

Cores Doralices...



O q ali se via nada tinha a ver com magia. Era bem mais q euforia. Era alforria de um sorrir advindo de labirintos íntimos, romaria q todos os dias há mto, mto, em mto lhe servia.

O q Alice vivia após o mear do dia só a ela cabia; e se estendia em maresias até bem tarde. Até o corpo em convulsão sentir a alma em intrigante comunhão.

"Se da vida as vagas procelosas são; se, com desalento, julgas tudo vão." Repetia à exaustão.

Até a tarde adormecer junto com ela; e, pela janela, a noite lhe invadir os sonhos, trazendo alívio, cobertas e doces conversas às dores daquela Maria das cores.

Junto à cadeira de vime dois pequeninos laços assistiam a tudo, presos no bico de delicados sapatos.

Na segunda gaveta da cômoda um vestido de cambraia passado, lavado até a alma, esperava o amanhecer...




 Entremeando desejos, um rápido solfejo do hino 564, da Harpa Cristã

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Impressões digitais...



Nas breves horas vagas em q vaga por “la barca”
supõe esclarecer meus pensamentos. A todo o momento
à guisa de silencio leva a mão à boca. A outra gruda no guizo.
No mear da noite borralheira, ao sabor da brisa salva-vidas,
a carne vibra ao leve toque na cuíca...






La barca, música do cantor e compositor mexicano Roberto Cantoral

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Terço contexto...



Pelo abstrato das vontades;
Pelo insensato das vaidades;
Pela maldição das certezas;
Pela incerteza do proposital;

Louváveis sejam as rimas q fogem à lógica emocional!

Pelo paradoxo do óbvio;
Pelo ócio do caráter;
Pela vergonha alheia q campeia;
Pela cerca q cerceia o acidental;

Louváveis sejam as rimas q fogem à lógica emocional!
Para sempre sejam louváveis...