segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Solo em sol... Movimento de bacos...

Por vezes te encontro perdida.
Então sigo teus rastros, recolhendo pedaços de ti
que enxergo soltos pelo caminho.

Cada vez q toco a terra sinto a natureza do carinho
Que te evoca. Que me renova.

Dessa maneira te provo sem te por à prova.
Sem interpor ou me por à frente daquilo q acreditas,
mas reprovas.

Em meus sonhos sopro para bem longe o pó de tua dor.
Em seu lugar planto sementes de ilusões.
Quem sabe o desejo do beijo solte gritos presos na garganta...

Talvez seja ingênuo. Talvez seja sonho.
Diante de abismos criamos asas sem qq explicação.

Nada nos alcança...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Driblador...



Ela me chama de Pelé.
Nem tanto. Nem tonto.
Na verdade não valho
um Tostão, respondo.

Pensando bem,
cá com meus garranchos,
de tão Mané, talvez um
Garrincha de idéias tortas...









Pelé, desde antes do nascimento, todo mundo sabe quem é.
Mané Garrincha, "O anjo de pernas tortas", foi o mais célebre ponta direita brasileiro e maior driblador da história do futebol.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Feérica diet...



Sentada à mesa do rei de ouro a dama de paus trincava os dentes e o olhar no valete de copas respeitosamente postado à sua frente.

Dada às regras e regalias da vida vazia, sentiu, como há mto sentia, uma fome sem nome de tirar o sossego lhe abrir o apetite.

Como de costume catou pensamentos e sementes indecentes de seu jardim.

Não esperava buquês. Não havia intenções em desvendar porquês.

Apenas lhe ocorreu uma vontade de correr até se sentir no ar, sem ar, completamente à mercê de idéias rosas, insistentemente tortas.

Ainda tentou reagir. Chegou a pensar n’outra sobremesa.

Mas não resistiu. 

Sucumbiu a tentação da mão. Profanou o corpo e a alma enlouquecida sob a mesa. Sentiu na carne os desejos da vaca q comera o cogumelo q nascera da própria bosta.

Naquela mesma noite, encerrada a leitura, foi até a varanda e vomitou restos de candura.

Ao ver a vaca pastando imponente em seu jardim, não teve dúvida:

só Lou cura...







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No final uma visão alucinante do livro "O cogumelo q nasce da bosta da vaca profana", da poeta mineira Lou Albergaria.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Prisão domme ciliar...



Delicia de pessoa
Delicia te ler em pessoa

Me dispa
Viva
Cada palavra
Verbo vivo
voo no risco

Venha!
Me tenha!
Qual senha?
Venha
Sem senha

Te dou a porta
Abro ferrolhos
Estendo a pele
Atraco
Cravo teu dorso
a capela

Meu querer te comporta
Teu prazer me conforta

Aconchego
Te recebo
Me deixa em ti
em segredo

Venha
sem susto
Vou
no impulso


Dito e feito.
E nada a mais foi dito.

Houve de tudo
Disto, daquilo e aquilo outro.

Amanheceram
Soltos
Presos um no outro...

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Artérias da esclerose óbvia...

Não sei por qto vaguei
Nem mesmo lembro-me se sonhei
Sei q qdo eu lhe toquei
Senti q continuava vivo.

Então...
Vivas ao vivo!

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Eros uma vez...

Face ao dito refaço qto posso meu rito.
Só não comento o mal dito q não fito.

Se fidalgo não indago, irônico divago.
Conscientemente ouso grifos não declarados
no Eros confuso embutido no erudito.

Mesmo destoando deste vapor barato
sigo a toada sem tirar nem me opor
ao peso do andor sobre meus ombros.

Poeticamente afrouxo o cadarço
do sapato q insiste em irritar meu calo.

Calado atesto q tdo vale a pena
se a estética do fonema não for obscena.

Só não me peça para desenhar a cena.
Muito menos traduzir a medíocre
incompatibilidade humana.

Como único e último recurso
rebusco debaixo da cama os trapos
do rei corroídos pelo rato.

Deitada na cama a rainha ainda vive o drama
de não saber onde perdeu o camafeu.

Ligo o rádio. Segundo Cléo kuhn,
em meio à nuvens espartanas, a paisagem
mantém-se propícia à rimas e trovoadas.

Em suma: a vida, até, é engraçada.
O q me falta é vontade de sorrir...







Cléo Kuhn é o imprevisível homem do tempo da Rádio Gaucha 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Curioso visor retrô...



Curioso o olhar acompanha a escrita com abstrata vontade,
na expectativa enigma do feto no instante da bolha arrebentar.

Se a escrevente se propõe ao decompor,
porque o leitor se apodera da escrita, qdo, por desgraça,
a graça da parábola é justamente ser indefinida?

Em silêncio os sentidos se decompõem nas canções de devoção.

Até onde a vista encanta tecla por tecla o pensamento se desnuda.
Toca a pele na elegia da dança q despe, enlaça e entrança
a dor e o frescor do beija-flor qdo lambe a seiva da alfazema.

No corredor da morte nem o amor tem pressa.
No corredor do amor a morte é certa.

Na reinação dos cordeirinhos rendição é paz q não acaba.
Nem qdo a noite se faz de um veio solar, nem qdo o banho na chuva
espalha pedaços de espelhos de lua pelas ruas...


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