domingo, 15 de janeiro de 2017

Feérica diet...



Sentada à mesa do rei de ouro a dama de paus trincava os dentes e o olhar no valete de copas respeitosamente postado à sua frente.

Dada às regras e regalias da vida vazia, sentiu, como há mto sentia, uma fome sem nome de tirar o sossego lhe abrir o apetite.

Como de costume catou pensamentos e sementes indecentes de seu jardim.

Não esperava buquês. Não havia intenções em desvendar porquês.

Apenas lhe ocorreu uma vontade de correr até se sentir no ar, sem ar, completamente à mercê de idéias rosas, insistentemente tortas.

Ainda tentou reagir. Chegou a pensar n’outra sobremesa.

Mas não resistiu. 

Sucumbiu a tentação da mão. Profanou o corpo e a alma enlouquecida sob a mesa. Sentiu na carne os desejos da vaca q comera o cogumelo q nascera da própria bosta.

Naquela mesma noite, encerrada a leitura, foi até a varanda e vomitou restos de candura.

Ao ver a vaca pastando imponente em seu jardim, não teve dúvida:

só Lou cura...







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No final uma visão alucinante do livro "O cogumelo q nasce da bosta da vaca profana", da poeta mineira Lou Albergaria.