sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Pele tâmara... Olhar rouxinol...



Até aonde a vista alcança estávamos em agosto. No alto de uma quarta-feira q se despedia do rigoroso inverno de 2010, um sol tímido sobrevoava chaminés de lareiras e pesadas mantas estendidas no arame farpado.

Nas copas alvoroçadas das árvores, colibris e pintassilgos anunciavam o final de tarde. A exemplo de outros anos, salvo merecidos enganos, com o passar dos dias àquela hora do dia cobria o riacho de cores tâmaras.

Rastros delineados em seus relevos despertavam desejos. Lábios entreabertos debatiam-se desconexos, a espera de uma primavera de perfume incomum, lascivo, parido entre pétalas.

Altivos bicos de seios despontavam de auréolas de leve tom marrom. O doce de sua fruta. A carne exibida na boca graúda. Aguda. A falsa inocência não fazia ciência de tamanha devoção.

Composição q se fez e se refez, dia após dia, se repetiria nas trilhas sonoras de eufóricas auroras em orgasmos orbitais. Uma canção acompanhada de debochadas badaladas de sinos tocava as retinas apaixonadas do olhar rouxinol.

Regidos pela lua, q não tardaria a nascer, seguiram a esmo os sinais q vinham das ruas. Por um longo tempo prosseguiram pássaros em seus volteios, até perderem-se de vista nas rimas de um horizonte ainda sem nome. Em nome do qual sabiam não mais cabiam em si.

Seguiram em si bemol...



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dorothy ribeiras... Noite arribação...




Esta noite não sonhei contigo.
Sem questionar os riscos tomavas banho no ribeirão.
Quando deu por mim, tu, diamante raro,
Eras Dorothy Lamour a passear em minhas mãos.

Vivê-la excedeu toda a compreensão...

Esta noite não sonhei contigo.
Não foi preciso. Ao som de Dolores Duran
Enfeitiçado toquei a rosa. Ela, a mais formosa,
Revelou-se meu bem na primeira estrela da manhã.

Vivê-la tornou-se preciso.
Do mesmo modo o impreciso voo arribação...




Dorothy Lamour, atriz de cinema norte-americana.

Ribeirão é um curso de água menor que um rio e maior que um riacho, apropriado para a extração de diamantes.

Arribação. Ato de regressar ao porto de partida ou adentrar em outro destino diferente do previsto.

A segunda estrofe completamente embriagada pela canção “A noite de meu bem”, de Dolores Duran, cantora e compositora brasileira, nascida na rua do propósito, centro do RJ.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Saravá virada... Revirada constatação...



Para cada batatinha q nasce zilhões de baratas renascem, no bater de palmas, esparramadas pelo chão. Taças brindam anunciações. 

Todo ano aparece de vestido novo. Sobre o tom a cor do ovo de algum Colombo.

Se o galo canta a galinha faz eloquente defesa dos pintos. Bate asas, cisca, mas não voa. O passarinho voa. Não à toa a barata tbém. A diferença está no teor da loa, no verso em q se ecoa a busca do sentido, sem noção de direção.

Quando a cegueira é febre o dedo acusa a justa causa e o q causa comoção.

Por uma questão lógica, e não semântica, sete são os dias da semana. Por alguma reação ilógica renovam-se as esperanças. É comum ver branca de neve mimada “botando a banca”. No fio da navalha, toda mijada, vara nas madrugadas de seus anões.

Em sendo o q se pensa, é melhor repensar se compensa modificar o estatuto da criança. Seria mais razoável ajustar a tara da balança. Enquanto alguns enchem a pança, a besta encurralada descansa o peso de suas desculpas.

Na transfusão de gangues as alianças favorecem algum cristo metido a redentor. No alto do conglomerado ergue o braço e, politicamente repete corretamente o nome do libertador.

A borboleta faz pirueta no ártico. Bem sabe q nem todo pagode é russo. O q esperar do amigo urso?

Nas malvinas não se dança tango. Filho de peixe sempre foi coisa para inglês ver. Nas barras da saia de buckigham Cristina mantém o luto sem perceber q a faca tem gumes.

Todo benefício legal tem seu lado impróprio para o uso. Como afirmar q o ano é novo, se ninguém sabe o q acontecerá na próxima estrofe?

Nos dias de hoje todo senso é crítico para o sensor defensor do próprio umbigo. Até amor q fica critica abertamente a liberdade q não se cria.

Com o rei de paus nas mãos a dama exibe o valete com todas as honras. Em uma orquestra de câmeras a sereia ilumina o rabo na cama. Nem com o estardalhaço dos contraltos ela desafina o timbre de seu afamado recato.

Nos barracos da cidade o sonho de consumo é consumido no estampido. No asfalto iluminado festeja a própria ineficiência, prestando continências ao seu agressor.

Bendito fruto q se gerou...


domingo, 29 de dezembro de 2013

Ponta de unha... Cachaça brejeira...



Quando tomou a rasteira acreditava ser mestre na capoeira. Com instinto escaldado, no pulo do gato saltou de lado.

Do outro lado beijou a lona e a rama com ternura brejeira.

Apesar da aparência não havia zona de desconforto. Ali a atriz não se valia de ardis para compor suas máscaras. No máximo disfarçava, nas curvas, a exposição exagerada de algumas carnes a mais. E nada mais. Nada demais para quem sabia lidar com o movimento das dunas.

No mais costumava jogar runas, mas, por via das dúvidas, perfumava os atalhos de suas linhas costeiras.

Sem prescrições draconianas desatou, com a ponta das unhas, os nós e fricotes dependurados no decote de seu vestido surrado.

Não entendia nada de Kant ou discorria sobre teorias freudianas, mas sabia ser sacana como ninguém.

Seu único segredo era interpretar a si mesma...


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Ratos e urubus... Recorte e acordes...




Toc! Toc! Toc!

Na sinuca de bico o bater da porta deu imbróglio no umbigo.

Folheando suas últimas páginas deu saudades de quando escrevia e respondias com sinais de approach. De lá para cá o tempo desgovernou. Na flor q beijei flori. Teci. Assuntei. Revivi. Resguardei parte de mim. Com o q restou de ti fui por aí...

Toc! Toc! Toc! Insistiu pausadamente o ano novo.

- Percebi q mexeu no blog. Reli teus comentários. Revi meus sonhos. Etc... Etc... Etc...

Eteceteras acendiam Maria da luz Açucena. À caminho das índias o ciúme mudou o buquê de seu perfume.

Cantei Maria Helena toda vez q toquei seus cabelos negros. Naveguei "la barca" na águas cor de jabuticaba de seu olhar. Quando descortinei minh’alma pulei sete lagoas. Dancei valsas imaginárias sobre a neblina, em garoas ao te abraçar nas esquinas.

- Desconfie de quem se emocionou com os favelados de Joãozinho Trinta. Desconfie do jeito q se conserva a Amora. Lembre-se de manter a Aurora abaixo dos 30. Acima disso, caro amigo, o parafuso rosqueia o q resta de juízo.

Onde o sol nasce gaivotas bailam sem disfarces. Cromossomos denunciam o q somos. Bendito seja teu fruto!

Beijosss da sempre menina Mae West... PS: No post, please!

Oh very young! What will you leave us this time?

- Seu garçom faça o favor de deixar a cadeira vazia...





Maria Helena é uma canção de Francisco Alves.
La Barca, composição do cantor mexicano Roberto García.
Joãozinho Trinta foi o criador do enredo “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”, da Escola de samba Beija-flor de Nilópolis, RJ.
Mae West, de tantos montes sudoestes, atriz norte-americana, cujo verdadeiro nome se esconde em “Oh very Young”, de Cat Stevens; com exatos 37 acordes de “Cadeira Vazia”, de Lupicínio Rodrigues, cantor e compositor gaúcho.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Bordados e abordagens...



Com palavras de fino recato bordava nuvenzinhas algodãozinhas, todas azulzinhas, na barra da saia. Com receio dos furos e dos perjúrios escondia seu delator no dedal.

Sem passe livre no passado coloria o futuro com lápis labial Dior. Dentro da bolsa outros guardados. Bordados e abordagens. À luz da janela um gato de olho na estrada. Por trás da cortina o semblante desconfiado.

Escrava de um amor próprio e cego, de olhos fechados escorava fins de tarde em postes sujos de porra. Ao voltar para casa passava escova na roupa. Nas coxas ensaboava saudades.

Viveu preservando a imagem da santa, com a flor da idade nas mãos...




Montagem feita em obra de Pieter de Hooch, pintor dos países baixos.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Branca na neve... Travessa latinidade...



Respiro su buenos aires. Nos caminhos del libertador San Martin me segura pelo braço e alerta: - no se deje engañar, no hay Moisés que parta los amares, ni fantasía que distrae la ansiedad que llevas contigo.

Na marina del sol observo seus anzóis a catar ventos. Tomo banho na lua q descreves. Penso alto. Esmiúço travessuras. Branca como neve declamas faceira receitas de pirlimpimpim.

A travessa besuntada com fina prata reflete sua verdadeira face.

Na costa incidental o rio margeia ladainhas, tanguerias ribeirinhas e sinhaninhas estendidas no varal.

Suspiro qdo esbelta cruzas la calle. Latinidades ardem em suas carnes.

Coisa mais linda é seu rebolado, tão cheio de asas, a passarinhar...




Composição misturando grafite da estação de Tropezón, em Buenos Aires, e seu rebolado cruzando a Borges de Medeiros, em Porto Alegre, no rio grande q banha o sul do Brasil.