quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sem paralela...



O q mais quero e espero é q rebata
Repique no pau a pique e me faça
seu piquenique. Até me explique...
Não pelo meridiano Greenwich. Nem venha
com duelismo ou dualismo paralelistas

Que me venha safada e me foda
me socorra e exploda comigo
inserido, sem efeito retroativo, na lata

Que preze o q atiça, e se preste
a me passar em revista. Com laços e fitas
brincar de bandido e polícia
Rendidos, até no se perder de vista,
aos sinceros toques anarquistas da malícia

E q se faça a festa e tdo o q 'não presta'
Ela dançando twist
no realismo do meu samba canção...

Em tempo: E é bom q se reforce a tempo:
Não é samba. Não é canção. Mas...
Faz alusão a ela e suas linhas sem paralelas
Por quem verbo reverbero e espermo
por ser gênese do meu tesão.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Tremembé tremendão...

Por mais q se suma
nem sempre se assuma
no banho, na mesa,
na súmula só se soma.

Mesmo mantida
regulável distância,
se somente trisca
é festa de arromba...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Acabou Chorare...

Quando a abelhinha cheia de mel
soletrou o beabá no bé do carneirinho,
comecei a sorrir a partir da ponta do pé.
De tanto sorrir acabei chorando... 






Acabou Chorare é título de um disco dos Novos Baianos, de 1972.
Tempo em q ainda se ouvia música boa no tabuleiro da baiana.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Banho de Bica...



Sentada à borda do bidê ouvia Dinorah fazendo crochê.

Precisava ver... O corpo doido suava remoendo pensamentos deprê.

Não. Não era coisa pra marquês ver. Nem caso de citar Duprat, o fato de cantarolar toda vez q esfregava o utilitário bélico, pra lá e pra cá, no estéreo, pelo incomensurável do vasto grelo.

Sem esboçar pressa fazia compressas na vulva com as partituras, apascentando visíveis rupturas no seu higiênico papel.

Sem noção da dimensão q causaria o rolo, misturava o imaginário, o popular e o Eros próprio da dita. No ritmo adequado à produção do mel adentrava o vigésimo céu tal e qual Jezabel.

Entretanto, no introito preparatório do grande mambo final, aquiescia com gemidos distônicos aos infames ditames impingidos pelo martírio de sufocar os gritos.

Conduzida a termo, olhar a esmo largado no trânsito dos trâmites.

Muda. Repartida. Engolia a seco o resto do prosecco e a saudade deslavada dos banhos de bica...








Dinorah é uma canção de Ivan Lins, compositor brasileiro
Rogério Duprat, mestre e maestro do Movimento tropicalista

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Onde sabiá faz curva...




Entre profano e espontâneo o corpo curvado deixava o peito colado às coxas aninhadas em conchinhas.

O brilho da carne gozada iluminava o sorriso hortelã adormecido no rosto. O rubro do ruge e resquícios da noite passada retinha o frescor do sonho vivido nas maçãs.

Sob isto havia mais q isso. Havia um prazer submisso nos flancos deixado em aberto, à espera do tiro certeiro do amor franco e atirador.

Sonhou... Sonhou... Sonhou...

Sem saber o q fazer de tanto amor, sonâmbula desafiou as ordens acatadas aos pés do santo e protetor.
Sem delongas. Sem fazer burburinho fez um buraquinho na gaiola e voou.

Voou... Voou... Voou...

Riscou o ar com os bicos dos peitos eretos. Rastejou no espelho do mar inquieto com as incertezas de seu coração incompleto.

Arribaçã à procura da anunciação, a mercê da arrebentação...







Costura fundamental na música “Sabiá lá na gaiola”, de Hervé Cordovil e Mário Vieira.

Arribaçã, de arribação, substantivo feminino avoante...

terça-feira, 16 de junho de 2015

Honoris pausa...

Vontade q não passa
Saudade q abraça
Pensamento q se larga
sem q se queira largar

Calma! É questão de tempo...
Disse o vento q passava.
Tudo q vem no tempo
n’outro tempo se esvai

Largando mão do vento,
vendo q o tempo passava,
rompeu com o silencio...
Por que por dentro não passa?

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Maktub cucurrucucu...




Atravessados na cama masturbavam-se a quatro mãos.

Noite passada haviam comemorado bodas d’alma nas margens libidinosas da lagoa.

E ainda comemoravam...

Nus em duos sincronizados descreviam no céu das bocas o q lhes ocorria de correr nas veias.

Um no outro. Um e outro em um e outro descobriam o mágico do q até então era apenas ideia de colosso.

Falanges, falanginhas e falangetas compunham entrelaçadas operetas com impressionante disposição harmônica. Na trama em q se haviam sabiam q não havia vivalma à toa. Nada destoa qdo um voa no outro.

Maktub mon amour!
Soletre sorvete com a sede na ponta da língua
Curta! Cutuque o verso com saia curta
Dê mostras das curvas na lomba...
Cucurrucucu maktub paloma!
A vida é extremamente curta
e a estrada intimamente longa...

Desde noite passada festejavam bodas. Com toda a pompa rasgaram o q haviam escrito com suas filosofias anãs.

Assim, cada vez mais atravessados, transportavam-se da cama ao lago, transformados sapo rei e rainha rã... 








Maktub é uma palavra árabe q significa "estava escrito" ou "tinha que acontecer".