segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Camellia Sinensis...



Derramado sobre o ventre, sem nenhum atrito, deslizo a pele sobre a seda dos teu pelos macios. Em tudo tu me elevas e me leva, e me arrasta pela gravidade do redemoinho de teu umbigo. 

Como previsto, entorpecido, respiro o necessário e preciso. Tudo o mais é imprevisível aos sentidos. Teu corpo efêmero é complexo. Tu’alma fêmea um universo gestos dispersos.

Feliz de quem reconhece o ponto de teu tempo incerto.
Feliz de quem remexe e te esquece na batida certa.
Feliz de quem saboreou teus frutos, e soube usufruir os dois lados de tua colher de chá.

Quem soube, nem sempre entendeu a complexidade das reações equivalentes existentes entre o côncavo da cova rasa e o universo imerso no convexo da colher.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Lúgubre...



Abençoados dados ao ávido.
Bem vindos receios recheio de recados ácidos.
Abençoado sal do suor misturado à lágrima
curtida no couro de ouro puro.

Chega de batom! Chega de bom-tom!
Sabe q i like a Rolling Stones.
Bendito sê-la! Bendito sê-lo sem promessas.
Bendito seja o escuro...

Literalmente, no Tom...


Se água de março fecha o verão,
chuva nos ventos de agosto lava a alma...

quinta-feira, 1 de março de 2018

par de deux de pardais...



Sem dar um pio.
Arrepios... Ninho em flor
Nu azul sutil do céu sem sutiã.

À luz das salinas o corpo trina
silenciosa rima na coluna em espiral.
Liquido efeito. Rasantes no pico.
Bico esquerdo de um peito
em exclamações contínuas.

Por um momento o sentido
transpassa a dimensão da ternura
da faca ao fatiar a cebola.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

iletrado...



Enquanto escreves dou voltas nas letras discretas com as quais delimitas a distância providencial da realidade à sua volta. Nada mais usual.

Dos prazeres inseridos nos capítulos, registro e bendigo, a força de teu vocabulário. Nada mais falo. Há firmeza na sutileza das palavras. Há calor na fria poesia descrita no mármore. Nada mais raro.

Enquanto escreves passeio pelo tremor implícito nos versos. Copulo a cada transição dos pontos em vírgulas. Com a mesma fluidez escorro pelo cio das meadas q irradias.

Sim. Tudo é relativo. Menos tua poesia. Ela é reativa à formatação q já não te comporta. Nem conforta.

Eu, leitor - nem grego, nem troiano - sou apenas um mortal impregnado pela leitura de tua poesia cuspida sobre a cultura erguida em carrara...



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Valete de Reis...



Cartas embaralhadas
Dons aos dominós sobre a mesa
Domínios de real delicadeza.
Cartas abertas fora da gaveta
Rotas do q brota d’onde a dona beija.

Bingo!? Melhor seria dizer: na hora q bater...

Sopro sem rumo fora do prumo
Estado sólido. Lógos lúdico
Estágio único de real grandeza.
Felicidade de Rei é ter a Dama
na trinca com o valete de paus...






Intervenção em Cartão Postal dos atores Billie Burke e Farren Soutar para o musical “The Belle of Mayfair”, Vaudeville Theatre de Londres, 1906

terça-feira, 4 de julho de 2017

Ego tripas... Tácitos eus táticos...



Quisera eu a lua fosse dourada. O sol uma bola maciça de intensas rajadas de prata. Batida em madeira de lei envernizada tivesse delay e som de lata.

Quisera eu todo pensamento torto fosse oco, e fundo de poço não ecoasse o nada. Quisera a noite pudesse amanhecer com a sede de quem adormece se sentindo amada.

Quisera pudesse enxergar o furo do ponto futuro, e, no escuro, tdo ficasse mais claro. Quisera eu compreender a verdade por trás das verdades no microcosmo das vaidades.

Quisera eu, mas, na verdade não enxergo nada.

Nem enxergo o germe causador da ziguizira nos primorosos caprinos; nem o verme q descama a cauda do peixe traíra na zona meretrícia da cama.

Enquanto isso, deitada confortavelmente na rede da chalana, Perla continua cantando índia...







Montagem sobre Iracema, tela do pintor luso-brasileiro José Maria de Medeiros
Perla é uma cantora paraguaia