segunda-feira, 21 de março de 2016

High mind...



Acordei
Displicente
Altamente
Indecente.

Sem saber
Se era tarde
Olhei-a
Eloqüente

Ato falho
Belisquei-a
Quase falo
Indecente

No q se fez
Me refez
Sobretudo
Consciente

Só então
Salientei
High mind!
Simplesmente...

segunda-feira, 14 de março de 2016

o capô do capo...



Decidida desceu do salto, despiu-se dos finos trajes e subiu no capô do carro com curiosa permissão do capo.

No capô reviu a vida sem a sutileza dos finos tratos.

Sem admitir apartes deitou e rolou e se atirou.
Capotou com a chuva a lhe molhar as partes com frases íntimas.

Transbordou... Transmutou...
Floriu... Refloriu... Desfrutou bem mais q supunha,
Quando deu cabo do capo na punha, sorriu.

- Puta q pariu! Mesmo q esse mundo pare, tão cedo quero descer! Sussurrou...

Ao cabo de tudo o capo nada falou. Enfim seu amor se deu como quis e bem estendeu.
Coube ao capo se ater à natureza silenciosa do hiato entre o se doar e o doer.

...

Depois do longo suspiro, outra vez no aconchego do carro, agradecida, beijou as mãos do capo.

Com bons modos repousou a cabeça em seu colo. Do mesmo modo retomaram-se nos moldes de seus acordes iniciais. Ela sensivelmente mais bela, quase adormecida, quase esquecida do q ficaria para trás. Ele, ao dar partida no carro, viu a vida seguir seu curso habitual. Até o próximo farol nada anormal.

Ela adormeceu tranquila. Desta vez sem se valer da tequila. Sabia q aquilo q a noite apagasse seus sonhos embalariam, e o dia seguinte reescreveria com a saliente anuência de seu adorável capo.

...


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

La dulce Evita...




Evita teimava em ser só frida.

Não. Evita não conhecia limites. Nem desmerecia a existência de outros florais.

Ocorre q, em decorrência da educação recebida in vitro, Evita levava a vida evitando levitar.

Não q fosse acanhada, ou tivesse receio de bailar. O sapatinho de cristal é q pesava. Além do calo cultivado desde criança, sempre a lhe apertar o dolorido calcanhar. 

Sabe-se lá o q determina a dimensão e motivação exata do pedregulho ao provocar o regurgitar...

Evita parecia fadada a aceitar não haver saída, senão suportar o contrapeso da sede de vida. Até q um dia apareceu a margarida e lhe abriu os sentidos à falta de sentido em ser só frida.

Sem pesar os reflexos, sem pesar as razões da visão afeita ao complexo, Evita saiu mundo a fora, cantando auroras adormecidas. Indiferente ao fato de ser só frida redescobriu, à luz de loucas óticas, verdades floridas em outras tantas formas de vida.

Desde então Evita deixou de evitar a flora. Até sorriu qdo a petulante petúnia arrancou o brinco da princesa com ciúmes.

Evita reaprendeu a fluir. Evita só não perdeu a mania de mentir pra si mesma. Muito menos deixou de lado seu lado só frida. 

A boa nova é q Evita aprendeu a despetalar a noite qdo bem quer.

Até descobriu um jeito de se fazer mto bem, nos dias em q seu bem mal lhe quer...



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sábado, 30 de janeiro de 2016

Repare e pense...



no pose!
pause...
e pouse

...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Swift Sweet Sinhazinha...

Um café
Um cointreau
Um trago

Só então te traço em assanhadas linhas

Na verdade
nem mesmo sei se és minha.
Sei q todas as vezes
me deixo costurar
em suas entrelinhas...

Mi Buenos Aires...



Un café
Un cigarrillo
Un licor

Sólo entonces trazo sus seductoras líneas...

En realidad ni siquiera sé si tú eres mía.
Lo que sé
Es que cada vez que me besas
Me veo cosido
En sus entre líneas...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Meteóricos...



Sem imaginar serem feitos do mesmo barro se esbarraram no baile dançando “moonlight serenade”.

Ele abraçado à cerimonialista. Ela abotoada ao professor

Em braile trocaram olhares. Ele de cima a baixo. Ela por cima do ombro

O primeiro esbarrão deu em pizza.
O segundo, segundos de um leve toque na mão.
O terceiro foi aquele em q ensaiavam passos de aproximação.

Ele pisca. Ela sabe onde pisa
Ele belisca o ovo. Ela sorri de novo

Leitura labial deixa pistas
O olhar despista pra não cair em tentação.
A emoção por sua vez vai fundo
Vagabunda esquece o mundo e pede socorro.

De olhos grudados, abraçados a seus amores, balbuciavam coisas sobre misturas no barro; em afagos, de esbarro e encaixe; de estimulos pré-moldados.

Feitos aos quatro beijos, serviam-se um do outro sem embaraço, já sem acenos de mão. Cada um em seu espaço, seu devido espasmo, receptivo sorriso e respectiva ilusão.

Passava das quatro. Ninguém mais falava em “moonlight”.

Agora era Ella quem cantava “the shadow of your smile”...












Ella é a Fitzgerald, cantora jazzista americana
"Moonlight Serenade", composição de Glenn Miller, músico americano
"The Shadow of Your Smile", canção de Johnny Mandel e Paul Webster, tema do filme “Adeus às ilusões"