quinta-feira, 15 de junho de 2017

Umbigo blues...



No refresco do vento ouço o repente do silêncio engolir o jardim.

O apito repetitivo do vigia aponta o outro lado da lua. Após o alarido, pós-latido uniformizado e agressivo dos cães de guarda, atravesso a rua mal iluminada. Sem dizer nada vou ao encontro da luz da fada disfarçada de pingente q me aguarda em silêncio e nua.

Na aparente calma das raízes vasculho matizes à procura de saídas. Silencio. A todo o momento vejo o movimento da terra despertar pensamentos adormecidos. Um tanto reteso belisco, em tese, o impreciso.

Dependurado na viga faço figa ao ver a quantidade de papa-figo.
Não sei se cego ou sigo...


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Solo em sol... Movimento de bacos...

Por vezes te encontro perdida.
Então sigo teus rastros, recolhendo pedaços de ti
que enxergo soltos pelo caminho.

Cada vez q toco a terra sinto a natureza do carinho
Que te evoca. Que me renova.

Dessa maneira te provo sem te por à prova.
Sem interpor ou me por à frente daquilo q acreditas,
mas reprovas.

Em meus sonhos sopro para bem longe o pó de tua dor.
Em seu lugar planto sementes de ilusões.
Quem sabe o desejo do beijo solte gritos presos na garganta...

Talvez seja ingênuo. Talvez seja sonho.
Diante de abismos criamos asas sem qq explicação.

Nada nos alcança...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Driblador...



Ela me chama de Pelé.
Nem tanto. Nem tonto.
Na verdade não valho
um Tostão, respondo.

Pensando bem,
cá com meus garranchos,
de tão Mané, talvez um
Garrincha de idéias tortas...









Pelé, desde antes do nascimento, todo mundo sabe quem é.
Mané Garrincha, "O anjo de pernas tortas", foi o mais célebre ponta direita brasileiro e maior driblador da história do futebol.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Feérica diet...



Sentada à mesa do rei de ouro a dama de paus trinca os dentes e o olhar no valete de copas respeitosamente postado à sua frente.

Dada às regras e regalias sentia a vida vazia como há mto sentia. Uma fome sem nome e sem sossego a lhe abrir o apetite.

Como de costume catou pensamentos e sementes indecentes de seu jardim.

Não esperava buquês nem intenções em desvendar porquês. Apenas uma vontade de correr, até se perder, até ficar sem fôlego, solta no ar, completamente à mercê das idéias tortas, insistentemente rosas.

Tentou reagir. Chegou a pensar na sobremesa dada na bandeja.

Mas não resistiu. 

Sucumbiu a tentação. Profanou o corpo e a alma com as próprias mãos. Na carne enlouquecida sob a mesa, os desejos da vaca e o cogumelo q nasce da própria bosta.

Naquela mesma noite, encerrada a leitura, foi até a varanda e vomitou restos de candura.

Ao ver a vaca pastando em seu jardim, não teve mais dúvida:

só Lou cura...







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No final uma visão alucinante do livro "O cogumelo q nasce da bosta da vaca profana", da poeta mineira Lou Albergaria.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Prisão domme ciliar...



Delicia de pessoa
Delicia te ler em pessoa

Me dispa
Viva
Cada palavra
Verbo vivo
voo no risco

Venha!
Me tenha!
Qual senha?
Venha
Sem senha

Te dou a porta
Abro ferrolhos
Estendo a pele
Atraco
Cravo teu dorso
a capela

Meu querer te comporta
Teu prazer me conforta

Aconchego
Te recebo
Me deixa em ti
em segredo

Venha
sem susto
Vou
no impulso
Só

Dito e feito.
E nada a mais foi dito.

Houve de tudo
Disto, daquilo e aquilo outro.

Amanheceram
Soltos
Presos um no outro...

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Artérias da esclerose óbvia...

Não sei por qto vaguei
Nem mesmo lembro-me se sonhei
Sei q qdo eu lhe toquei
Senti q continuava vivo.

Então... Viva-se!
Ao vivo...

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Eros uma vez...

Face ao dito refaço qto posso meu rito.
Só não comento o mal dito q não fito.

Se fidalgo não indago, irônico divago.
Conscientemente ouso grifos não declarados
no Eros confuso embutido no erudito.

Mesmo destoando deste vapor barato
sigo a toada sem tirar nem me opor
ao peso do andor sobre meus ombros.

Poeticamente afrouxo o cadarço
do sapato q insiste em irritar meu calo.

Calado atesto q tdo vale a pena
se a estética do fonema não for obscena.

Só não me peça para desenhar a cena.
Muito menos traduzir a medíocre
incompatibilidade humana.

Como único e último recurso
rebusco debaixo da cama os trapos
do rei corroídos pelo rato.

Deitada na cama a rainha ainda vive o drama
de não saber onde perdeu o camafeu.

Ligo o rádio. Segundo Cléo kuhn,
em meio à nuvens espartanas, a paisagem
mantém-se propícia à rimas e trovoadas.

Em suma: a vida, até, é engraçada.
O q me falta é vontade de sorrir...







Cléo Kuhn é o imprevisível homem do tempo da Rádio Gaucha