quinta-feira, 6 de março de 2014

Cristais em rocha... Sativa rara...




A joia mais valiosa da mulher não está envolta em pétalas de rosa.

Não está na boca q saliva afoita a carne nervosa. Na brisa farta nascida nos seios soltos no decote, a enfeitiçar o olhar à primeira visita.

Sequer no rebolado do corpo endiabrado, em quadris repartidos, lado a lado, a serviço de vícios delatores.

Tudo isso é fácil. Tudo isso é fato.

Portal abstrato, no qual todo mortal respira os primeiros sinais de vida, a mulher carrega em estado bruto o brilho dos diamantes mutantes. Joia de múltiplas facetas somente perceptíveis se atinge o agudo timbre da pele em polvorosa.

Quando incrustada em dura rocha, alma sativa se despe das figuras decorativas q a vida lhe obriga carregar, e se eleva, com glória e pompa. na visão de sua versão mais esplendorosa.

Só assim encontra a tão esperada resposta.

Na honestidade dos orgasmos, nas mãos de quem a devassa, se expõe na rocha. Sem verso. Sem poesia. Sem prosa.

Ela em sua joia mais preciosa...


domingo, 2 de março de 2014

Flor de oiro... Frágil veleiro...



Radiante luar navega o tejo
Rastelar emoção no brejo
Subversivo beijo desperta
aias em águas d'ouro ébrio

Tamera manifesta-se serva
Observa amor sem garantia.
Sem prazo à vista respira
Brisa híbrida de viver buñuel

Úmida dança tamearama
Flor unissexual d’alentejo.
Polígono interior, poliamor
ao gosto de um deus dará

Felicidade, esta não esfacela
Fidedigna se torna mais bela
Causa e prazer de procelas
em ondas de novo amor





Tejo, rio mais extenso da Península Ibérica. Nasce na Espanha como Tajo e deságua no Oceano Atlântico como Tejo, em Portugal.

Tamera, comunidade situada no Alentejo, PT.

Tamearama, trepadeira polimorfa de folhas tripartidas e, ainda assim, inteiras.

Buñuel, cineasta espanhol nacionalizado mexicano.

Montagem feita sobre fotograma de “A Idade do Ouro”, filme escrito por Salvador Dalí e dirigido por Luis Buñuel.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ao mar de algarvias...



Balbucio teus lábios
Incitas revoluções
Inconsequente amor
de língua fluente.
Na medida dos saltos
Escancara e se instala
no ato átimo de loucura.

Tentando sobreviver
as pernas rebelam.
No q mordes envolvem
a mercê do acaso
te sentencias a morte.
Desfaleces risonha
Soletrando algarvias

Longa vida... Ópera à paisana...



Rômulo remava constrangido pela maré. No remo o coração partido pelo amor bandido de uma mulher. 

Assim é a vida. Peito materno tem longa vida. O de pai vira muxiba.

No seio materno se descarta o caroço. Custa-se a ler as desculpas da placa fincada na praça aonde iam depois do almoço.

Desculpe o transtorno! Trabalhamos para melhorar as relações humanas.

Entre louca e mariposa a boa moça encosta a roupa no ferro quente. Reclama o sol escaldante. Na ponta do pé escreve eufemias. Na ponte faz tríplice aliança.

Na rua tira onda. Na cama apalpa o sacana. Assim como prima a dama, ávida por cortar laços, sem embaraço, na fita de cada reinauguração.

Olha lá! Lá vem outra procissão...

É o bloco das andorinhas salve-rainha. Todas vermelhinhas batem na mesma lata, sacudindo os quadris e a poeira das noites passadas na consolação.

No peito da loba rômulo sentiu o remo tocar as paredes da vagina. Corroída em coloridas tramas romanescas, a loba revestia as tardes burlescas no papel seda de seu carnaval.

Sexta-feira amanheceu no soar de trombetas. Apalpou a buceta e saiu pelas ruas cantando “mamãe trás logo a chupeta, q eu ainda quero mamar...”




Montagem sobre foto de Julia Margaret Cameron, fotógrafa inglesa nascida em 1815.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Habanera...

Hada borracha en la cumparsita
Las manos del diablo en la bodeguita
Como en la noche en que te soñé
En la mira de los reflectores
Taza de tequila en su mano...





Habanera é um estilo musical oriundo de Havana, Cuba. A habanera deu origem ao maxixe brasileiro, ao tango argentino e ao vanerão gaúcho.

Lima e Silva...

Na academia, oculta das letras,
Batia punhetas habaneras

Na boca maldita olhava bela vista
Nas mal vistas mordia os lábios

Despetalada oferecia a rosa
Langorosa em rede arrastão

Na escuridão ouviu-se rock
Garrafas de orllof vazias no chão

De olhos fechados seguiu-se o faro
Além do esperado verso inexato...




Lima e Silva é uma rua do centro histórico de Porto Alegre, RS

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Lima e Silva... Banana Habanera...



Na academia oculta das letras
Hada borracha en la cumparsita
batia punhetas habaneras

Na boca maldita olhava bela vista
Nas mal vistas mordia os lábios
las manos del diablo en la bodeguita

Despetalada oferecia a rosa
En la noche en que te soñé
langorosa em rede arrastão

Na escuridão ouviu-se o rock
En la mira de los reflectores
Garrafas de orllof vazias no chão

De olhos fechados seguiu-se o faro
Além do esperado, no verso inexato
Taza de tequila en su mano...




Lima e Silva, rua localizada no centro histórico de Porto Alegre, RS

Habanera é um estilo musical oriundo de Havana. A habanera deu origem ao maxixe brasileiro, o tango argentino e o vanerão gaúcho.

Montagem sobre capa do disco "Habanera", do saxofonista John Harle e do pianista John Lenehan.