segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Menina rosa... Pé de alfarroba...



Vestia rosa para sonhar azul.
Pela manhã limpava as janelas do quarto
Na tarde passeava em canções de luar.
Com medo de o mundo desabar ficava em silêncio
Levada pelos ventos escrevia poemas de fazer voar...

Toc! Toc! Toque-me!
Sem retoques ou disfarces
Toque à vontade, com a força
de tuas vontades. Toc! Toc!
Provoque insanidades.

Suba a saia.
Sobressaia a rosa de teus ventos em mim.
Venha rasgando a roupa. Solta
Latindo cachorra... Levitando...
Dançando tangos com os demônios
Sob a custódia do teu corpo cetim...

Mata a saudade na pele cachopa.
Cravo vermelho nos lábios, carne roxa
Repousa meu gosto na tua boca carmim...

Vestida de sonhos a menina de rosa
colhia na paisagem vagens de alfarroba.
Toc, toc, toc... A realidade lhe batia à porta.
Desta vez deixou bater, sem medos...





Alfarroba: Fruto da alfarrobeira. Árvore originária da região mediterrânica, tbém conhecida por figueira-de-pitágoras e figueira-do-egito. Durante mto tempo a semente da alfarroba foi usada como medida para pesar diamantes. No antigo Egito eram usadas na preparação de múmias. Sua madeira, vermelha e dura, é usada na marcenaria.
Cachorra: Cadela ainda nova.
Cachopa: Moça dada a prosa
Montagem sobre quadro “little-red-riding-hood”, de Maren Jeskanen

domingo, 22 de setembro de 2013

Dominique nick-nick... Josephine a babar...



Montada no cavalo branco Josephine dava a César o q era de César. Dava até dignidade. Sinceridade? Há quem diga: por maldade. Napoleão, como se sabe, era bom nas partes. Aliás, se naquele tempo já houvesse seguradora, quem sabe seria mais relaxado. Só a desobrigação de esconder a mão em seu jaquetão engomado...

Jura? Nada a ver com a conjuntura?

Desconjura! Soninha era toda pura, mas poucos sabiam das maravilhas q ela fazia com as mãos. Por nada, não. Depois dos trilhos urbanos toda beleza pura merece uma séria reflexão. Nos termos legais, nada aparece demais.

Segundo os anais tanta nudez incomoda o déspota. Mantenha-se a insinuação. Na defesa da contravenção uma mão sempre lava a outra. Chega a ser convincente. Mas será q voga? Por maior q seja o interesse, não se revoga o voto aberto dado de toga.

Ninguém assume a culpa se a desculpa não cola. O secreto dependerá sempre da melhor proposta. 

Por quem os sinos dobram já não é imperativo. É preciso saber em nome de quem os cílios se desdobram.

A história é um manifesto contínuo de final imprevisível. Nem tudo é previsto. Nem tudo é visível. Vista grossa tbém passa no pente fino moral. Salvaguardados delicados desatinos e loucuras de carnaval, cada um carrega consigo seu enredo ideal. Conveniente. Teatral.

Um dia daremos conta q somos nossa maior afronta. Sublinhadas respeitosas discrepâncias, é na cama q se ajusta as contas e se negocia o provável dividendo. Vai vendo... Este, sim, o juízo fatal.

Abre-te sésamo! Ao tomar posse da senha Dominique garantira seu reinado. Sentada na rampa olhava os pampas, limpando os cristais embaçados e a estátua da santa esculpida em carrara. Cara a cara, no espelho, minha cara, quem se atreveria a falar de amor?






Montagem feita sobre “O êxtase da Santa Teresa”, de Gian Lorenzo Bernini

sábado, 21 de setembro de 2013

Hemisfério quinze... Bolero neon...



Negra seda q me leva. Noite q eleva. Tudo aquilo q não se enxerga, mas se traz entranhado n’alma. Envolve o corpo. Expurga agostos como se o gosto da primavera fosse o dela, como se dela brotasse as cores de todas as flores, como se libertasse o amor preso às correntes d’auras.

Tânia Alves sobe ao palco à meia luz. De humana só a poesia do seu corpo fada.

A escrita mímica o q a boca não fala. Finge sair por aí. Vai e volta por ali. Vida é coisa q não passa. Posto à contraluz o mistério q seduz é o mesmo q induz à falha.

Em câmara lenta acompanho seus passos. O perfume éter do reflexo do seu salto, pontiagudo e alto, me perfura o peito. Faz bolero no meu corpo tablado. Ligo o rádio.

Felicidade é um estado sem divisas. O fim nem sempre é ao fim do primeiro ato. Intervalos tbém são regalos.

Saio do clube. Dobro a esquina. Nem assim ela me deixa em paz...






Tânia Alves é uma atriz, dançarina e cantora brasileira. Atualmente em turnê com o show “A Era de ouro do rádio”.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Mae West... The Best...



Lua cheia.
Antes sereno, o mar esperneia
Percorre as veias
Sobe a nuca e desfruta.
É impossível conter.
Teu cheiro no meu querer
beiradeiro, é de enlouquecer.

O corpo inteiro tateia os montes.
A mão abusa. A blusa acusa
Vontade de viver.
Desejo, emoção inconclusa
A razão reluta. A alma se perde
O olhar te segue pelo cais
Sem direção...






Mae West nasceu em 1893, no estado de Nova York. Desde cedo trabalhou no teatro, atuando em espetáculos de variedades. Escreveu novelas e numerosas comédias, caracterizadas pelo tom frívolo e picante. Algumas interpretadas pela própria Mae no teatro e no cinema.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Parapeitos... Fatura exposta...



Derramava sobre as palavras o q havia de poesia. Beijava a loucura no calor de tuas pernas. Odes de alma aberta. Entre rios flutuava disléxico pelo cio reticente do teu sexo. Em tuas partes desvendava sotaques. Um prazer à parte. Algo q se repartia em alegrias degustadas no teu colo.

Saudade não é só uma palavra. É vontade de adentrar o verso. Teu cheiro desassossega o peito. Respirar lhe traz para dentro de mim.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Eleanor Rigby... Arias paraguaias...



Adentro a sala de desembarque cansado e grávido de um café e um cigarro. Em meio ao tumultuo vejo um figurino cafajeste de bicheiro. Na hora penso ser gravação da personagem Agostinho Carrara para o seriado da televisão. Que nada. Era o Ibrahim, em seu melhor estilo sóbrio etílico, fazendo o tipo olho vivo. Natural. Afinal, como se sabe, cavalo não desce escada.

Entre ele e eu um volume exagerado de malas circulava numa esteira abarrotada e ronceira.

Tamanho peso causava um estranho e incômodo desconforto. Razão pela qual questionava as motivações q havia para enfrentar um retorno. Nunca tolerei passivamente a existência de malas. Gênero universal de artigo indefinido e duvidoso.

Por isso não causou espanto ver o blog invadido, mutilado e rastreado pela insanidade, nada rara, desta espécime rígida da raça humana. Paro. Olho. Sigo em frente...

Dirijo-me até Ibrahim. Quem sabe me ajude a encontrar respostas.

Depois do trago no scotch, uma longa baforada. Só então, com a peculiar voz arranhada solta a fumaça e o veredito:

- Sorry, my friend. This is periferia humana. Quem não suporta a própria vida tem medo do q lhe espera em um espelho. Tipos assim só encontram alivio para seus martírios, fazendo análise ou bisbilhotando a vida alheia.

- O caviar está em falta. Posso servir mel de abelha?

Adentra a cena um assustado garçom. Pressentindo a reação q causaria sua inominável falha. Na tentativa de evitar a anunciada ‘esbórnia’ procuro mudar o assunto. Tiro o garçom de cena e deixo em segundo plano um ainda indignado Ibrahim.

Pela vidraça observo cores q passam apressadas entre o cinza e o azul. Só então me transporto monobloco beija-flor pelo tempo q ainda me resta. Outro tempo. Lugar sem contratempo. Luar sem nenhum contraluz a contrapor. Olor em combustão. Calor em profusão. Fio de lamparina devorando o querosene.

Na quermesse de São Jorge, Benjor cantou a pedra q um dia viria.

Bingo! Ai, ai caramba, olha eu aqui!

Volto pela assumida e abstrata necessidade de dialogar com cada átimo q me habita. Deslizar no ângulo em q o nariz empina e mergulhar no abissal de minha máxima loucura, em vida. Saludar con ámbar el sabor de la fruta. Hermosas putas q embarcan con sus barcazas en mi íntimo. Y si miran. Y mi miran, sin enbargo verme. Vivir los sentidos. Lo q hablo y vivo.

Sem portar fitas métricas, nem obedecer a falsas medidas. Sem vestir a pele animal das políticas corretas. Mas, sem descartar, em algumas árias, a bata cirúrgica do obstetra.

No mais, não vejo a necessidade de qq outro sobreaviso. Posto q a nada me obrigo. Trata-se de um blog pessoal, autodigestivo e intransferível.

Ainda assim peço aos intelectuais e eruditos - extensivo aos boçais e doentes mentais - a devida compreensão com quem escreve loas a toas. Com quem descreve a imaginação, sem a mínima pretensão de alçar a estatura de ilustres e reconhecidos imortais.

Relaxem! Meus maribondos não provocam tanto fogo...

Aos fingidos gêneros pudicos estendo generoso penico. Externando meu sincero lamento pelo comportamento bestial. Recomendo q sigam os normais.

Aos anônimos de sentimentos e procedimentos turvos, nos últimos tempos assíduos neste recinto... Admito: continuarei a ser o q, bem ou mal, entender. Não agrega e nem me faz diferença suas torpes crenças. E ressalto, sem sobressalto: continuarei a cantar àquela menina, a do Chico, com todos os dengos cabidos. Os descabidos tiro dos cabides e sirvo no mexido, com merecidos fuxicos.

Sem ladainhas ou clamor q o inferno me seja leve. Faz favor...

Há tempos nos servirmos um do outro, em comum acordo. Nele encontro à devida inspiração q me eleva aos céus, flutuante e leve. E adianto: É total perda de tempo esbravejar. Existem coisas q somente a uma pluma é dado o direito de saber. Ou experimentar.

Enfim. Nesse calhambeque sem breque ouso Roberto: só quero o q me aqueça neste inverno. E q tdo o mais, inclusive alguns q se sentem os tais, desejo, com o coração mais embaçado q parabrisa de carro na cerração, q descubram, desnudem e usufruam o fruto de seus infernos. De leve...

- Ademã, q eu vou em frente...
- Ça va, monsieur! Só não diga aonde vai. Corre o risco de alguém ir à frente, varrendo...










Eleanor Rigby - composição de Paul MacCartney, The Beatles, lançada em 1966, no álbum Revolver.

Agostinho Carrara - Personagem interpretado pelo ator Pedro Cardoso no seriado de televisão "A grande família".

Ibrahim Sued - (1924 - 1995) jornalista, compositor e colunista social brasileiro. Iniciou a carreira jornalística como repórter fotográfico, em 1946. Ganhou fama ao fazer uma foto em que o político Otávio Mangabeira parecia beijar a mão de Eisenhower, alimentando as críticas dos que combatiam o servilismo brasileiro em relação aos Estados Unidos. Como colunista social foi polêmico. Cunhou expressões que se tornaram bordões: "De leve", "Sorry periferia", "Depois eu conto", "Bola Branca", "Bola Preta", "Ademã que eu vou em frente", "Os cães ladram e a caravana passa" e "Olho vivo, que cavalo não desce escada".

quinta-feira, 2 de maio de 2013

No fundo do peito...

Emoção avulta
Pulsa arte avulsa.
Bate se debate reluta
Rebate alma reclusa...



Thanks Elton...