quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

La dulce Evita...




Evita teimava em ser só frida.

Não. Evita não conhecia limites. Nem desmerecia a existência de outros florais.

Ocorre q, em decorrência da educação recebida in vitro, Evita levava a vida evitando levitar.

Não q fosse acanhada, ou tivesse receio de bailar. O sapatinho de cristal é q pesava. Além do calo cultivado desde criança, sempre a lhe apertar o dolorido calcanhar. 

Sabe-se lá o q determina a dimensão e motivação exata do pedregulho ao provocar o regurgitar...

Evita parecia fadada a aceitar não haver saída, senão suportar o contrapeso da sede de vida. Até q um dia apareceu a margarida e lhe abriu os sentidos à falta de sentido em ser só frida.

Sem pesar os reflexos, sem pesar as razões da visão afeita ao complexo, Evita saiu mundo a fora, cantando auroras adormecidas. Indiferente ao fato de ser só frida redescobriu, à luz de loucas óticas, verdades floridas em outras tantas formas de vida.

Desde então Evita deixou de evitar a flora. Até sorriu qdo a petulante petúnia arrancou o brinco da princesa com ciúmes.

Evita reaprendeu a fluir. Evita só não perdeu a mania de mentir pra si mesma. Muito menos deixou de lado seu lado só frida. 

A boa nova é q Evita aprendeu a despetalar a noite qdo bem quer.

Até descobriu um jeito de se fazer mto bem, nos dias em q seu bem mal lhe quer...



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sábado, 30 de janeiro de 2016

Repare e pense...



no pose!
pause...
e pouse

...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Swift Sweet Sinhazinha...

Um café
Um cointreau
Um trago

Só então te traço em assanhadas linhas

Na verdade
nem mesmo sei se és minha.
Sei q todas as vezes
me deixo costurar
em suas entrelinhas...

Mi Buenos Aires...



Un café
Un cigarrillo
Un licor

Sólo entonces trazo sus seductoras líneas...

En realidad ni siquiera sé si tú eres mía.
Lo que sé
Es que cada vez que me besas
Me veo cosido
En sus entre líneas...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Meteóricos...



Sem imaginar serem feitos do mesmo barro se esbarraram no baile dançando “moonlight serenade”.

Ele abraçado à cerimonialista. Ela abotoada ao professor

Em braile trocaram olhares. Ele de cima a baixo. Ela por cima do ombro

O primeiro esbarrão deu em pizza.
O segundo, segundos de um leve toque na mão.
O terceiro foi aquele em q ensaiavam passos de aproximação.

Ele pisca. Ela sabe onde pisa
Ele belisca o ovo. Ela sorri de novo

Leitura labial deixa pistas
O olhar despista pra não cair em tentação.
A emoção por sua vez vai fundo
Vagabunda esquece o mundo e pede socorro.

De olhos grudados, abraçados a seus amores, balbuciavam coisas sobre misturas no barro; em afagos, de esbarro e encaixe; de estimulos pré-moldados.

Feitos aos quatro beijos, serviam-se um do outro sem embaraço, já sem acenos de mão. Cada um em seu espaço, seu devido espasmo, receptivo sorriso e respectiva ilusão.

Passava das quatro. Ninguém mais falava em “moonlight”.

Agora era Ella quem cantava “the shadow of your smile”...












Ella é a Fitzgerald, cantora jazzista americana
"Moonlight Serenade", composição de Glenn Miller, músico americano
"The Shadow of Your Smile", canção de Johnny Mandel e Paul Webster, tema do filme “Adeus às ilusões"

domingo, 11 de outubro de 2015

Ligações intraflorentinas...

Três da tarde ela liga e pergunta como estou
Ainda zonzo eu respondo: de pau duro
Ela acha um absurdo e desliga na minha cara

Treze minutos depois torna a ligar...

Desta vez pergunta se me acordou
Respondo q não
Então me pergunta das produções

Antes q divague digo q estão devagar
Ela diz q as coisas estão difíceis
Falo q mais difícil é encontrar amor...

Sem dizer nada ela desligou
Será q se ligou?




Por via das dúvidas cantei Abujamra
Apenas pra lembrar q alma não tem cor...







“Alma não tem cor” é uma canção de André Abujamra

Cultura Day...



Quem a si mesmo aceita, desde cedo percebe q amar não é seita. Logo só se aceita no q não prescreve e resiste sem receita. Inclusive nos incursos difusos das veredas em nada convencionais

Amar é sensorial. Como tal, verbo atemporal narcisista. Senhorio imperativo de senhorinhas possuidoras de caricias; de boas vontades rendidas aos deslizes. Delitos em delícias próprias dos vendavais.

Amor é sentimento de equilíbrio movediço e cultura plural. Um paraíso feito de ciclos e inferninhos austrais. Cujo ativo, de posse do passivo, produz benefícios específicos. Tanto físico qto espiritual.

Quem não enxergar isso viverá em roseiral de sacrifícios. Falará de amor, mas do amor só conhecerá o fodido. No pior conteúdo da palavra.

Afora os noves foras, mais nada...