domingo, 2 de julho de 2017

Cores Doralices...



O q ali se via nada tinha a ver com magia. Era bem mais q euforia. Era alforria de um sorrir advindo de labirintos íntimos, romaria q todos os dias há mto, mto, em mto lhe servia.

O q Alice vivia após o mear do dia só a ela cabia; e se estendia em maresias até bem tarde. Até o corpo em convulsão sentir a alma em intrigante comunhão.

"Se da vida as vagas procelosas são; se, com desalento, julgas tudo vão." Repetia à exaustão.

Até a tarde adormecer junto com ela; e, pela janela, a noite lhe invadir os sonhos, trazendo alívio, cobertas e doces conversas às dores daquela Maria das cores.

Junto à cadeira de vime dois pequeninos laços assistiam a tudo, presos no bico de delicados sapatos.

Na segunda gaveta da cômoda um vestido de cambraia passado, lavado até a alma, esperava o amanhecer...




 Entremeando desejos, um rápido solfejo do hino 564, da Harpa Cristã

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Impressões digitais...



Nas breves horas vagas em q vaga por “la barca”
supõe esclarecer meus pensamentos. A todo o momento
à guisa de silencio leva a mão à boca. A outra gruda no guizo.
No mear da noite borralheira, ao sabor da brisa salva-vidas,
a carne vibra ao leve toque na cuíca...






La barca, música do cantor e compositor mexicano Roberto Cantoral

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Terço contexto...



Pelo abstrato das vontades;
Pelo insensato das vaidades;
Pela maldição das certezas;
Pela incerteza do proposital;

Louváveis sejam as rimas q fogem à lógica emocional!

Pelo paradoxo do óbvio;
Pelo ócio do caráter;
Pela vergonha alheia q campeia;
Pela cerca q cerceia o acidental;

Louváveis sejam as rimas q fogem à lógica emocional!

Para sempre sejam louváveis...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Curiosa intimidade...



Antes de adormecer releio a escrita com curiosa expectativa de precisar sob qual prisma se inicia o enigma da explosão; em qual fonte bebe o rompante; que transcorre no inconsciente do feto no instante de a bolha arrebentar.

Alto lá! Alerta a percepção. Se o estigma da escrevente é, por essência, reconstituir a emoção em sua desconhecida razão; pquê, então, o leitor julga se apoderar da escrita? Quando, por desgraça, a graça de toda metáfora é, justamente, ser indefinida.

A poética socializa, mas subverte faces encobertas.

Nem tudo exige explicação. Tudo tem sua razão. Culpa nunca foi desculpa. Automutilação é uma forma de negar a aceitação da interrogação pós-inserção no cordão. Do uno dá-se o duo. Do abrigo ao desconhecido revive-se o rito e o conflito.

A linha transversa q costura a vagina ensanguentada reata e realinha laços de amor e dor. O choro aflito recém-nascido é seu único grito de sobrevivência...






Montagem a partir da obra “Leda and the Swan”, do pintor francês François Boucher

sábado, 17 de junho de 2017

Le Rechilieu...



Havia a mesa feita em peroba-rosa. O vermelho dos botões de rosas oferecidos no centro de mesa bordado em rechilieu. Na boca um batom carmim a manchar de desejos o lenço de renda branca.

Por dentro sentimentos ao relento. Por fora arrebentos a desconstruir pretextos e lamentos. Batuques de África a arriscar novos acordes, a riscar meus dedos nas cordas refinadas de sua guitarra flamenca.

Seu rosto encoberto. Meu olhar a descoberto. Velas amontoadas, acesas pelo chão da sala, a instigar enxames, a lançar chamas e nossas sombras dançarinas pelas paredes. Nossos corpos seminus boquiabertos, seduzidos pela enigmática evolução dada à festa.

Pareceu inevitável aceitar a vida passar pelos prováveis lapsos dos segundos. Nossas vontades lúcidas arrastadas pelas marginais das corredeiras. Nossas virtudes lúdicas regidas pelos prelúdios e eflúvios de uma terra do nunca atrevida.

Sob todas as óticas fomos oferecidos. De todos os modos demonizados. Ainda assim não pareceu estranho sentirmo-nos estranhos seres guiados, apenas, pelo vigor de nossa total liberdade dos juízos.

A nossa volta semblantes intrometidos remexiam-se pelas teias. Sacudiam areia com os pés ensandecidos. Trincavam os dentes perdidos em meio à poeira de desalentos.

De tão enfurecidos não perceberam seu corpo oferecido rastejar pelo chão batido; coberto, tão somente, por folhas de esteiras salgadas de nosso suor...









Bordado richelieu é uma técnica de bordar em q se usa linha branca sobre tecidos brancos e leves. Seu nome faz referência ao Cardeal Richelieu, responsável pelas oficinas onde se produzia esse tipo de bordado para o vestuário usado pela corte do Rei Luis XIII

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Umbigo blues...



No refresco do vento ouço o repente do silêncio engolir o jardim.

O apito repetitivo do vigia aponta o outro lado da lua. Após o alarido, pós-latido uniformizado e agressivo dos cães de guarda, atravesso a rua mal iluminada. Sem dizer nada vou ao encontro da luz da fada disfarçada de pingente q me aguarda em silêncio e nua.

Na aparente calma das raízes vasculho matizes à procura de saídas. Silencio. A todo o momento vejo o movimento da terra despertar pensamentos adormecidos. Um tanto reteso belisco, em tese, o impreciso.

Dependurado na viga faço figa ao ver a quantidade de papa-figo.
Não sei se cego ou sigo...


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Solo em sol... Movimento de bacos...

Por vezes te encontro perdida.
Então sigo teus rastros, recolhendo pedaços de ti
que enxergo soltos pelo caminho.

Cada vez q toco a terra sinto a natureza do carinho
Que te evoca. Que me renova.

Dessa maneira te provo sem te por à prova.
Sem interpor ou me por à frente daquilo q acreditas,
mas reprovas.

Em meus sonhos sopro para bem longe o pó de tua dor.
Em seu lugar planto sementes de ilusões.
Quem sabe o desejo do beijo solte gritos presos na garganta...

Talvez seja ingênuo. Talvez seja sonho.
Diante de abismos criamos asas sem qq explicação.

Nada nos alcança...