entre o lúcido
e o lúdico
a carne vibra
na pele viva.
Pelo q sinto
e ouço
No osso q é
duro de roer...
domingo, 14 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Perfumes de Colônia...

Certa vez atravessou a madrugada pintando as paredes da casa de amarelo.
Dizia querer morar no sol...
Bem antes de o sol despontar, iluminando a carranca amarrada à viga central, espalhou sementes de girassol em volta da cama. Depois pendurou pedacinhos de poemas no cortinado de organza.
Como acontecia nos dias de tesão cobriu a voz com luvas de seda. Postou-se de forma mansa, pontuando as palavras impostadas com justo interesse.
Aconteceu q amanheceu e o sol não veio...
Frustrada, deixou-se nublar como o tempo. Assim navegou à deriva até respirar outra vez o perfume de colônia.
Enfeitiçada enfeitou-se de dama...
O corpo exalava poemas qdo pisou nas sementes. Dançava qdo rasgou a organza.
Mesmo prevendo contratempos deu asas ao universo, como se cada verso fosse um tapete mágico. Reencontrou-se às margens do rio de La Plata, bem a tempo de abrir escalas, abraçada ao barqueiro q conhecera em noites passadas na milonga.
A cada orgasmo viu florescer girassóis...
Enfeitiçada enfeitou-se de dama...
O corpo exalava poemas qdo pisou nas sementes. Dançava qdo rasgou a organza.
Mesmo prevendo contratempos deu asas ao universo, como se cada verso fosse um tapete mágico. Reencontrou-se às margens do rio de La Plata, bem a tempo de abrir escalas, abraçada ao barqueiro q conhecera em noites passadas na milonga.
A cada orgasmo viu florescer girassóis...
Quando o sol lhe acordou no dia seguinte não pensou duas vezes. Antes q o galo cantasse espreguiçou o corpo remexido e fez um selfie com um sorriso amarelo. Agora à luz do sol.
Como prova de amor tentou oferecer uns versos. Ao olhar o estado do cortinado rezou para encontrar algum largado, ainda q amassado, debaixo da cama...
Colonia del Sacramento é uma cidade portuária localizada à esquerda do Rio de la Plata, sudoeste do Uruguai.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Junho...
Chutou a tristeza e o lixo.
Tirou a saia justa
e veio em minha direção.
Na bolsa trazia saudades
negra luz esperança só
vista no escuro das ruas.
Envolto ao pescoço
um cachecol lilás solto
no entardecer atrevido...
Tirou a saia justa
e veio em minha direção.
Na bolsa trazia saudades
negra luz esperança só
vista no escuro das ruas.
Envolto ao pescoço
um cachecol lilás solto
no entardecer atrevido...
terça-feira, 2 de junho de 2015
Frutos da goiabeira...

Costumava come-la à dentadas. Com os dedos fazia pressão no corpo, até estufar o mesocarpo suculento encarnado, logo enfiado com vontade na boca.
Mordia com gula, misturando seu sabor à saliva. Sentia q engolia alguns caroços. Cuspia outros sem saber q semeava outras goiabeiras, onde, por certo, outro alguém alimentaria sonhos d’alguma sereia. Igual a q aguardava comendo goiaba toda noite de sexta-feira.
Passava a tarde circulando na feira. Quando anoitecia voltava para casa carregando um molho de erva-cidreira.
Em casa, acesa a lareira, abria as cortinas da janela onde avistava o pé de goiaba e, ao longe, bem longe, a Lagoa Mangueira.
Banho tomado sentava na cadeira da penteadeira e assanhava as teias da sua aranha de estimação.
Sempre no mesmo quarto de hora. Sempre na mesma janela. À luz do abajur azul explorava seu corpo com virtuosas dedadas. Aos poucos su’alma saía lambendo bordas, deixando nódoas em sua calcinha de algodão.
Sempre no mesmo quarto de hora. Sempre na mesma janela. À luz do abajur azul explorava seu corpo com virtuosas dedadas. Aos poucos su’alma saía lambendo bordas, deixando nódoas em sua calcinha de algodão.
Do lado de fora, de olho no olho da goiabeira, ele acompanhava cada movimento de sua sereia. Às vezes gemia alto, bem alto. Às vezes mansinho, fazendo carinho em um tom melódico, à altura de sacrossanto canto.
Passado um tempo, já debaixo das mantas, coberta outra vez de esperança fazia o sinal da cruz e apagava o abajur.
No quarto às escuras olhava as estrelas adormecerem nas profundezas de seu silêncio.
Na manhã de sábado, antes de varrer a casa, tomava o suco feito com as goiabas deixadas como paga no batente de sua porta...
Lagoa Mangueira é uma lagoa situada no município de Santa Vitória do Palmar, a 500 quilômetros de Porto Alegre, RS, perto do Uruguai.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Dark inside of the moon...

Os paralelepípedos continuam oblíquos e emoldurados nos paralelos dos meios fios. As calçadas da cidade baixa ainda cruzam riscos, sob olhares tangidos pelo fio do teu belo e irreverente rabisco condutor.
É providencial ressaltar a natureza substancial dos meneios. Requebros sempre mostram à q veio. A ansiedade da carne busca respostas na carne oposta.
Apostas são feitas à revelia no seio da tribo...
Alheia ao veredito, a sede é visível nos recheios q dão sentido as fendas laterais do vestido. As delícias do preâmbulo descortinam e justificam os mais belos horizontes.
Dos insides eróticos aos manifestos antropológicos, os corpos se aceitam indiferente ao breu castiço deste mundo caótico.
Até onde posso permaneço oculto, se o princípio ativo - partícipe intuitivo - cultua o corpo ambíguo posto cheio de adjetivos.
Sem q ninguém perceba toco the dark side of the moon.
Antes de passar a língua nas pontas dos dedos, no alto do poste um louco me avisa q os trópicos, apesar de todos os esforços, continuam utópicos...
“The dark side of the moon” é um álbum da banda britânica Pink Floyd.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
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