segunda-feira, 16 de março de 2015

Velas de voar moinho...




Medos a rimar
Remos ao mar
Ondas e incertezas

O q será q remexe debaixo da mesa do ambulante?
Qual destino dar-se-á à Cervantes?
O câncer não dá sossego um só instante.

Na volta do moinho
curvas em redemoinhos
desfiam horizontes

Nos olhos d’água velas se enlaçam no mar.
O cheiro de terra molhada gruda no corpo.
Rastros incendiários cortam escuridões.

Enquanto remos sacodem rimas,
ventos sopram águas bailarinas,
dançamos em acordes de sol...


sábado, 14 de março de 2015

Manifestação de amor...

Invada meu mundo
Passeie pelo submundo
Lamba o q existe de imundo
Dispa-se! Revire mundos
Descubra-me. Descubra-se
ao me descobrir em vc...

quarta-feira, 11 de março de 2015

A batatinha do santo Antão...




Batatinha qdo nasce
faceira se espalha em ramas
Sem saber como se ama esparrama
sonhos de grinaldas pelo chão

Cabrocha qdo é de rocha
desabotoa-se dengosa
Em laços e carícias desabrocha
a par e passo com a emoção

Face ao q gosta, e goza,
faz-se viçosa com perfumes de rosa
Rompe fronteiras, quebra espelhos
e a imagem de santa de então

Aliás, já não é mais segredo
Há tempos não trás papai no bolso
Mamãe, com todo respeito, nem sabe
em q parte do corpo bate seu coração

Ao fim de cada dia vai dormir
sem fazer preces à virgem Maria
Com alegria agradece as vitórias
e conquistas ao santo Antão

Nunca se viu tamanha devoção...







Vitória de Santo Antão é um município brasileiro localizado no interior do estado de Pernambuco.
Santo Antão, também conhecido como o santo Eremita, foi um santo cristão. Segundo relatos viveu até os cento e cinco anos.

terça-feira, 10 de março de 2015

A fantástica fábula das andorinhas...



No reino das andorinhas os pesos têm a mesma medida.

Não existe mistérios no ministério da justiça. Ela é real e a todos igualmente estendida, se merecida.

Se andorinha fosse Picasso não pintaria Guernica.

No reino das andorinhas dos peitos da rainha jorram o mel. Seus olhos são vitrais emoldurados por cílios e cios. Seu corpo um altar de sacrifícios, a refletir abismos, a estimular fantasias nos enlouquecidos mortais.

Quando empossada, com as mãos espalmadas o rei fez reverências com bem vindas saliências. Ajoelhado em seu colo lhe abriu as portas do reinado.

Andorinhas voam. Sabem q não cabem na pele da santa. Guardam-se e aguardam-se em segredo sem temer o faz de conta. No sol da meia noite do reino das andorinhas até Baryshnikov dança.

Todos cantam os encontros e dançam as despedida conforme a batida q abre a porta de suas esperanças.

Todos os dias, mal o sol desponta, no chacoalhar dos peitos da andorinha rainha, o rei colhe fábulas de Amélie Poulain...








Montagem sobre fotograma do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet.

sábado, 7 de março de 2015

Suspiros de alcova...




Tua bunda
Inunda
Meus olhos
Faroletes

Sigo a risca
O corpo desliza...

Chego
Aconchego
Me recebes
Escorrego...

sexta-feira, 6 de março de 2015

Perfeita tradução da flor...



Você é poema. Sua presença
é canção q sinto prazer ao ouvir.

Na verdade você é mais q canção.
Muito mais q este poema q faço.
Muito mais do q lhe digo.
Muito mais q um jogo de palavras feitas
alimentadas neste estranho amor.

Colado no seu corpo poema
escuto canções q falam de luxuria.
Leio e releio teus detalhes.
Na tua abertura vejo a porta
aberta às minhas loucuras. Nuas e cruas.

Pássaro acompanho teus passos
Apaixonado lhe faço. Lá dentro, bem dentro,
toco com firmeza teu ventre.
Tuas entranhas me devoram.

Seguro em teus cabelos
tempero a boca em teus peitos.
O direito e o esquerdo.
Os carpelos saltitam na saliva.
Tuas formas têm sabor de vida.

Vida q encontrei em teus braços
Quando, no primeiro abraço,
fomos a fonte, a inspiração
de todo o nosso calor…

La anatomía de una flor…



Tu es poema. Su presencia
es la canción que me gusta escuchar.

Aunque, de hecho, es más que una canción.
Mucho más que este poema que lo hago ahora.
Mucho más de lo que te digo
Mucho más que un juego de palabras
hechas y alimentadas en este extraño amor.

A la deriva en su cuerpo poema
escucho canciones que hablan de lujuria.
Leo y releo sus detalles.
Veo en su apertura la puerta abierta a mis locuras.
Desnudas y crudas.

Pájaro acompaño sus pasos.
Después de unas pocas horas
encaprichado reparto las pétalos de su flor.

Dentro, muy dentro, golpeó con fuerza su vientre.
Sus entrañas me devoran.

Seguro en sus pelos sazono mi boca en sus pechos.
Derecho e izquierdo.
Sus carpelos hinchan en la saliva
Sus formas tienen gusto de la vida.

Vida que encontré en sus brazos
cuando, en el primer abrazo, fuimos la fuente,
la inspiración de todo nuestro calor...