terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Uivos de lua... Banhos de mar...




Essa noite acordei no uivo da lua.

No começo baixinho, misturado ao burburinho, no balanço das ondas revirando areias costeiras do lugar. Levantei de onde estava e segui às cegas em sua direção. Beirando curvas deixei rastros para q ela pudesse me encontrar.

Conforme fincava os passos vi meu corpo riscado, por todas as partes, no seu dorso perfumado: no compasso de seu uivo, cada vez agudo, cada vez mais alto.

Essa noite ela me banhou. Depois fez estragos...

Quando, mais tarde, o sol acordou preguiçoso a escondi em meus braços. Adormeci com sua luz colada ao peito. Revirando na areia seu cheiro me fez, outra vez, sonhar...


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pedra que afunda... Davi e golias...



Pronta para o arremesso engoliu os derradeiros dias de sua inútil agonia em paz.

A espera do inesperado, cética de amor, desejou o encontro q a arrastasse pela vida; muito embora o agora fosse a sede do beijo q nunca saiu de seus lábios.

Duzentos e tantos membros em suas mãos. Uma coleção de manhãs e uma delicadeza cansada de começar do zero, todo santo dia...


Jealousy curtume... Assobio de ciúme...




Agora o mundo é “selfie”.
Valha-me! Até Obama
achou bacana surfar na onda.

Na flecha preta do ciúme
Tanta gente canta. Tanta gente rala.
Algumas esticadas no curtume.

De noite ouço lennon na cama
Fico pensando: Michelle, ma belle,
temos Denilma na casa branca?







Assobiando “o ciúme”, “de noite na cama”, de Caetano, adormeço ouvindo “michelle”, de Lennon e McCartney

Selfie é um neologismo do termo self-portrait, que significa autorretrato. Foto tirada pela própria pessoa com um celular e compartilhada na internet.

Denilma Bulhões, ex-primeira-dama alagoana que, segundo se noticiou, batia no marido com uma toalha molhada.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ave suicida... Rebuliço de saia...



As mãos descascam a pele
No vão do rebuliço
o quadril roliço provoca
Enxurrada no vinco da calça.

Eleito o réu e o pleno
a mão suicida flutua obscena.
Por entre fendas
a cobra cria asas.

Depois de tanto fuçar
a dor corrompe o prazer.
O amor se declara
no cheiro de corpo suado.

Denunciados
Até a última instância
Voam belos, em paralelo,
sem bater asas...






Pinceladas sobre o quadro “Lovers in a red sky”, de Marc Chagall

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Linha às avessas... Estilhaços de baião...



Caminhava sobre pedras arremessadas.
Sabia q o silêncio além de não levar a nada
abria a vala onde enterrava a outra face.
Justo a q faltava para a moeda rodopiar
no cimento armado, lépida, por inteira.

No girar do carrossel senhorinhas faceiras
montavam dóceis cavalinhos estáticos.
Quem fugisse à regra era posto de lado
como reza o costume barrado no baile
que antecedia o domingo dedicado ao Senhor.

Por todo lado ecoava sons de estilhaço.
Vitrines protegidas por tapumes escondiam
os rastros de ternura amordaçadas na esquina.
Um misto quente ardendo goela a dentro.
Um suco de fúrias a liquidificar a dor.

Longe das vitrines se oferecia em cultos
devotados ao oculto devasso e embriagador.
Contrariando o roteiro grudado no espelho
enfiou as mãos no decote e tocou os seios.
Pela primeira vez o silencio se revelava mortal.

No dia seguinte as vitrines continuavam arrumadas.
Do mesmo jeito as pedras seguiam sendo atiradas.
No inferno não se repara no corte do terno
ou nas adequadas linhas pinçadas no tailleur...

Naquela noite quebrou a travessa de arroz doce...


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Lição de ótica... Ilusão de ética...



Regada a regalos a poesia aduaneira floreia jardins, jardineiras e roçados.

Na pedra do rosário o passo acelerado da pátria causa rebuliço. No tremor a terra divaga sobre o precipício social. Em toques de flauta forja a fábula com alvissareiras palavras, notadamente as de boas lavras.

Propensa a tangos condena às farpas o q delata a fragilidade d’alma. Condena, mas fomenta a fauna com disfarces de fada. Só não se apercebe q a paga vem a toque de valsa, na caixa de sua ilusão.

Sem noção de aonde quer chegar esconde os sapatos com refinado status subliminar. N’est ce pa? Mademoiselle de incansável voejar... Au revoir... Comme sa! Comme sa!

A bordo do erário pudico saboreia petit gatoux. Na alcova de Almodóvar ensaia gestos vestais balanceados em buquês de Bordéus. O olhar art nouveaux não titubeia. Nem na hora de pestanejar.

Justiça seja feita! De olhos vendados é difícil tecer algum juízo ou saber aonde tdo isso vai dar...

Diante dos desmandos, por baixo dos panos Duran confidencia: “se pensas q pensa, estás redondamente enganado”.

De fato, salienta Duprat: na inclinação da curva é q se dimensiona a intenção do rebolado, a estatura do salto, a extensão do mandato...





Trecho incidental de "Hino de Duran", música q compõe a "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, baseada na "Ópera dos Mendigos", de John Gay.

A região de Bordéus, na França, é a segunda maior área de cultivo de vinhos no planeta.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Magical mystery tour...




Meninos e meninas cantam. Na ponta da língua traduzem o q dançam. No trânsito enlouquecido de vênus, se esfregam em versos na ponta dos pés. Na boca o gosto indecoroso de linguagem universal.

Seduzem à velocidade da luz. Galopam andaluz, fadas e faunos, à meia luz. Bem aventurados vendados beirando estradas.

No conforto das almofadas fazem graça. No meio da praça acalentam suas desgraças em valsas de andorinhas.

Meninos e meninas aprontam. Montam-se ou desmoronam conforme a relevância, a discrepância da pompa e a elegância circunstancial. Confrontando semáforos exibem semânticas. No sinal verde avançam, para alivio de seus fardos, no encantado reino onde habita o animal.

Aos beijos acompanham a banda. Bolinam buarques por todos os lugares. Redescobrem luares na palma da mão, passarinhando Quintana q não passa, meninos e meninas q são...





Magical Mystery Tour é disco trilha sonora do terceiro filme dos Beatles, lançado em 1967, no formato long-play.