sexta-feira, 9 de março de 2012

Provérbio ao relento...

Em terra de cegos é melhor abrir bem os olhos.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A mulher...



Sim, não há poema q exprima,
Por mais q se lapide a rima
Numa mulher não compreende
Nem cabe uma única percepção
O q torna impossível qq tentativa
De uma exata definição
Para este ser q ovula e carrega,
Em si, o dom da evolução





Dia 8 de março. Dia Internacional da Mulher
Pensando bem, não à toa seu dia é o infinito...

O bonde...


O bonde ia, ia, ia
Subia e descia
Guiado pelo anzol
Brilhante do sol
A lhe dar bom dia

Qdo o sol adormecia
Junto com a tarde
Ele vinha, vinha, vinha
Até encontrar o luar
No alto da noitinha

domingo, 4 de março de 2012

Clave de sol...



Desamasso o pedaço do papel almaço onde descrevo apaixonadas elegias a tua febril poesia.

Com meus pés descalços aperto os laços e saio em teu encalço. De um só gole tomo frenético o sumo de teu corpo em alvoroço.

Sem esperar a hora do almoço te janto inteira, até a sobremesa, na mesma clave de sol.

Não sei com q anzol fisgastes meus desejos, mas sei q tens a chave de meus segredos...





Montagem sobre fotografia de Katya Floriani, a quem agradeço.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Galopeira...

Teus colares
Pratas cavalos
Arreios alheios
Luz no escuro
de meu verso

Tudo q cobres
Meus olhares
redescobrem
lugares lunares
a te galopar





Galope: A carreira mais rápida do cavalo. A parte superior do mastro q recebe a borla. Dança rodada em ritmo acelerado

Absoluta cegueira...

O certo é cego
É provável
Nem te enxerga
O mito do mto
É improvável
Quase nunca
É provado
É certo, o certo
Não se enxerga

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Saias cirandas... Árias de Iaras...



Nas barras de sua saia alegres Iaras exalavam perfumes da fêmea de quadris assanhados e encantadores rebolados a dançar ciranda.

Com olhos fixos nas coloridas fitas lascivas, guerreiros faziam zig-zag e tocavam tambores no balanço de seu mar. Entregue e escravos derramavam-se em desejos com seus pés presos nas areias, entoando cânticos de amores para sereias de um além sonhar.

Se prestassem mais atenção veriam q no fundo do mar brilhos centelhas acendiam fogueiras nos olhos de um Zeus devasso, náufrago e inteiramente mundano.

Ao ouvir sua voz vinda de algum luar, ela girou suas saias de uma forma ainda mais obscena, estendendo seus braços com desejos q a fizeram flutuar sobre o mar. Nos apelos de seus pelos se podia sentir o desespero de seu corpo a clamar:

- Venha meu rei! Mas venha da forma mais impura. Venha q eu me quero sua. Veja debaixo da minha saia o tanto q a alma arde desnuda. Venha sem demora q a sede me devora. Venha para entoarmos louvores com teu cajado a me singrar. Venha antes q desperte a aurora. Faça teu reinado nos terreiros de meu congá.

Qdo o dia amanheceu, sabe-se lá o q ocorreu. Para tristeza dos desolados guerreiros pedaços de sua saia foram vistos à deriva. Levados pelas correntezas boiavam sem rumo longe do quebra-mar. Com seus pés ainda presos na areia da praia, em silêncio eles tocavam surdos lamentos com seus tambores e faziam oferendas à espera de outra vez vê-la cirandar.

Em noites de lua, no entanto, era possível se avistar borbulhas emergindo do fundo do mar. Assim como era possível sentir o seu perfume a se espraiar pela costa, trazido pelas ondas e ventos q sopravam na preamar.




Ciranda é uma dança originária da ilha de Itamaracá, Pernambuco, no nordeste brasileiro.
As mulheres dos pescadores formam uma grande roda na beira da praia para dançar e cantar, enquanto esperam seus homens retornarem do mar.