quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pimenta... Pimentinha...



Pimenta nos outros é musica
Nela era pura elegia da energia
Gaúcha de porto alegre
No palco sua alma corria leve
No toque das teclas do piano
Seu cantar equilibrista
Entre abraços e embaraços
Mergulhou nas águas de março
Da transversal do tempo
Na insensatez do falso brilhante
Bebeu cada instante num copo vazio
Híbrida flor de Elis...
Tanto q ela foi. Tanto que quis
Em mil tons ser feliz

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Rodas Rodin... Labirintos Dainad...




Enquanto o dia amanhecia, a lua me conduziu por entre as réstias e pelos restos de espermas q escorriam em suas pernas. A partir daquele ponto um mar de escuridão pareceu se iluminar no q existia oculto. Mto distante de cada um dos endereços onde normalmente ela poderia ser encontrada.

No mesmo instante olhei silencioso seu jeito vagaba de rastejar o tesão. Ao estender suas mãos em súplicas, ela expunha toda uma necessidade de alimentar seu prazer em sofrer por amor.

Céus e infernos múltiplos se tornavam uma única célula. Viva e alucinante. O núcleo invisível e inesgotável do prazer a transportava de uma forma intensa, inteira e cega. Nas corredeiras dos labirintos de uma emoção sem regras, a consciência se sentia cada vez mais inteira, conforme ia se revelando um nada.

Com uma beleza única e sedutora, ela seguia ipsis litteris ao comando firme do meu pensamento. Qto mais se prostrava emergia numa irresistível escrava. Tornara-se impossível não querer possuí-la.

Para ela sentir-se à mercê tornara-se imprescindível naquela hora. Então, curvando ainda mais o corpo sobre o joelho, e tomada pela loucura, ela tocou o nariz nos dedos daqueles pés q tinha a sua frente. O gosto de servir, definitivamente, tomara conta de sua alma. A espera ansiosa do castigo misturava tortura e agonia.

No desespero não se conteve e, finalmente, se entregou ao destino. Num gesto tão arriscado qto inesperado sentiu na ponta da língua o mesmo sabor q sentia em seus delírios. Sabia q era desatino, mas, arrastando a língua, ela passeou lentamente por todo o corpo daquele homem q deseja ter como seu dono.

O q se deu daquele dia em diante, nem aos deuses ela tinha coragem de revelar. O q se conta é q todos os dias ela estava lá, curvada, a embriagar-se na fonte do seu prazer.




Montagem feita com base na obra “The Danaid”, escultura em mármore branco esculpida por Rodin / 1886 - 1902. A estátua representa a figura de Danaid, uma das filhas de Danaus, q matou os seus 50 noivos na noite de núpcias. Todos foram condenados a retirar água do lago com uma peneira por toda a eternidade.

Mar de amar... Maremotos...



Mar de uma solidão q n’algum lugar espraia
Beirando azul o horizonte nu q o olhar afaga
Mar de maremotos peitos expostos na praia
Alucinado mar a deslizar no teu corpo arraia

Mar de tanto amar em abraços q incendeiam
Lascivo a bordar rastros serpenteados na areia
Mar de instantes sonhar no quarto a lua cheia
Imensidão desse mar a pulsar latente na veia

Mar a me puxar voraz com loucos rompantes
Como se fosse eu sua puta fugaz, sua amante
Mar a explodir arrecifes e fetiches alucinantes
Despedaçando pedras, leve trôpego e errante

Mar, imprevisível amar de tantos tormentos
Ondas insanas soltas em loucos fragmentos
Mar q lambe meu umbigo com atrevimentos
Minh’alma faminta o implora por alimento



sábado, 14 de janeiro de 2012

Poéticos balões de ensaio...



Feito balões inflados contamos estórias. Esquadrinhamos tijolos nos esboços em quadrinhos. Dialogamos como loucos, soltos nos calabouços.

Sem vontade de parar nem nos damos conta o qto parecemos lontras em deleitadas ondas.

No vai e vem de um vai e volta em nossa volta somos doces restritos ao sabor dos delitos. Dito o não dito, nos resta o valor dos sem juízo a serviço do q é prescrito na escrita implícita do bel prazer.

Só para constar, para lembrar q as lontras dormem de mãos dadas para não flutuarem para longe, uma da outra, durante os sonhos...



A lontra é um mamífero da ordem carnívora. Seu habitat é no litoral ou próximo aos rios. Geralmente a lontra tem hábitos noturnos, dormindo de dia e acordando de noite para se alimentar. Os grupos sociais são formados pelas fêmeas e seus filhotes, os machos não vivem em grupos e só se juntam a uma fêmea na época de acasalamento.

Holiday in Billie...



Ao te ouvir
Dancei Holliday
Contigo na chuva
Cobri teu corpo
Fui a tua luva
Na boca uma uva
Um sax a uivar
Sons sem nexos
No sexo, na flor
Na pele úmida




“Um beijo que nunca é provado é para sempre desperdiçado.” Billie Holiday


Billie Holiday nasceu na Filadélfia, em 7 de Abril de 1915. Seu pai, Clarence Holiday, tinha quinze anos de idade e sua mãe, Sarah Fagan, apenas treze. Qdo Billie ainda era bebê, seu pai, q era guitarrista, abandonou a família e seguiu viagem com uma banda de jazz. Sua mãe, também inexperiente, frequentemente a deixava com familiares.

Menina negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Aos dez anos foi violentada sexualmente por um vizinho e internada numa casa de correção para meninas vítimas de abuso. Aos doze trabalhava lavando o chão de prostíbulos. Aos quatorze anos, morando com sua mãe em Nova York, caiu na prostituição.

Em 1930, estando mãe e filha ameaçadas de despejo por falta de pagamento, Billie sai pelas ruas desesperada na busca de algum dinheiro. Entrando em um bar do Harlem, ofereceu-se como dançarina, mostrando-se um desastre. Penalizado, o pianista perguntou-lhe se sabia cantar. Billie cantou e saiu com um emprego fixo.

Após três anos cantando em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond. Era o real início de sua carreira. A partir de 1940, passando por momentos de depressão, sucumbiu ao álcool às drogas. Billie Holiday morreu no dia 17 de Julho de 1959, em Nova York.

Até hoje é considerada, por mtos, a maior de todas as cantoras de jazz.





Informações sobre Billie Holiday: wikipédia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ventos desordeiros... Brillo de su mirar...



Toco seu corpo como um sol.
Pouco a pouco penetro seus poros.
Você permanece de olhos fechados.
Pareces sonhar solta no meu balanço.

Como não acordas misturo meu corpo
ao seu corpo com cordas.

Murmuro ventos desordeiros em teus ouvidos.
Costuro meus lábios com os filetes
que se desmancham em tuas pétalas abertas.

Caralho! Sou capaz de ouvir o sussuro
de sorrisos em tuas lágrimas.

Quando, enfim, abres os olhos,
me vejo emergir no brilho de teu olhar...




Toco su cuerpo como el sol.
Poco a poco perforo sus poros.
Permaneces de ojos cerrados.
Pareces a soñar suelta en mi columpio.

Cómo no despertas mezclo mi cuerpo
en su cuerpo con cuerdas.

Murmuro vientos alborotadores en su oídos.
Coso mis labios con los filetes
que desmoronan en sus pétalas abiertas.

¡Carajo! Llego a escuchar los sussuros
de sonrisas en las lágrimas.

Cuando, por fin, abre los ojos,
me veo emerger en el brillo de su mirar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pedras e perdas... Sede de nuvens...



De maneira sinuosa lançou seu olhar pela luz q se fazia entre o vácuo e o vacilo. Sem nenhum prévio estribilho e sem explicação se deixou levar numa estranha dança pelo vão das hipóteses q surgiam entre um e outro pensamento.

Naquele momento todas as janelas pareciam abrir de forma ilógica. No entanto já não lhe perturbava a insistência de tantos em enxergar a vida por vias longas e tortas. Até q tinha sua lógica. Enfim, diante de tantos absurdos, não seria de todo ruim se acontecesse do mundo descobrir q deus era fêmea.

Na verdade nada tinha tradução. Tdo se revestia de possibilidades. Por uma cega e obediente crença preferia seguir as regras nunca ditas. Às vezes se sentia maldita, pois nem sempre conseguia ser explícita. Benditas dúvidas da natureza humana q lhe mantinha o equilíbrio.

Conscientemente não tinha a intenção de despertar nada além do indevido. Talvez por isso olhasse com atenção cada individuo q se interpunha entre o seu pensamento e o infinitivo pessoal e impessoal de seu desejo.

Sentia-se bem com isso. Sabia o qto se guardava e o tanto q ainda aguardava se conhecer a cada mistério desfeito. Já não conjugava a vida com tantos receios. Esse era seu único segredo. Mesmo assim, por ironia ou precaução, pisava nas pedras q encontrava pelo caminho como se fossem nuvens.




Montagem feita com as telas “Estrela perdida” e “Estudo de rosto de mulher loira”, do pintor francês William-Adolphe Bouguereau / 1825 - 1905