sábado, 14 de janeiro de 2012

Poéticos balões de ensaio...



Feito balões inflados contamos estórias. Esquadrinhamos tijolos nos esboços em quadrinhos. Dialogamos como loucos, soltos nos calabouços.

Sem vontade de parar nem nos damos conta o qto parecemos lontras em deleitadas ondas.

No vai e vem de um vai e volta em nossa volta somos doces restritos ao sabor dos delitos. Dito o não dito, nos resta o valor dos sem juízo a serviço do q é prescrito na escrita implícita do bel prazer.

Só para constar, para lembrar q as lontras dormem de mãos dadas para não flutuarem para longe, uma da outra, durante os sonhos...



A lontra é um mamífero da ordem carnívora. Seu habitat é no litoral ou próximo aos rios. Geralmente a lontra tem hábitos noturnos, dormindo de dia e acordando de noite para se alimentar. Os grupos sociais são formados pelas fêmeas e seus filhotes, os machos não vivem em grupos e só se juntam a uma fêmea na época de acasalamento.

Holiday in Billie...



Ao te ouvir
Dancei Holliday
Contigo na chuva
Cobri teu corpo
Fui a tua luva
Na boca uma uva
Um sax a uivar
Sons sem nexos
No sexo, na flor
Na pele úmida




“Um beijo que nunca é provado é para sempre desperdiçado.” Billie Holiday


Billie Holiday nasceu na Filadélfia, em 7 de Abril de 1915. Seu pai, Clarence Holiday, tinha quinze anos de idade e sua mãe, Sarah Fagan, apenas treze. Qdo Billie ainda era bebê, seu pai, q era guitarrista, abandonou a família e seguiu viagem com uma banda de jazz. Sua mãe, também inexperiente, frequentemente a deixava com familiares.

Menina negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Aos dez anos foi violentada sexualmente por um vizinho e internada numa casa de correção para meninas vítimas de abuso. Aos doze trabalhava lavando o chão de prostíbulos. Aos quatorze anos, morando com sua mãe em Nova York, caiu na prostituição.

Em 1930, estando mãe e filha ameaçadas de despejo por falta de pagamento, Billie sai pelas ruas desesperada na busca de algum dinheiro. Entrando em um bar do Harlem, ofereceu-se como dançarina, mostrando-se um desastre. Penalizado, o pianista perguntou-lhe se sabia cantar. Billie cantou e saiu com um emprego fixo.

Após três anos cantando em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond. Era o real início de sua carreira. A partir de 1940, passando por momentos de depressão, sucumbiu ao álcool às drogas. Billie Holiday morreu no dia 17 de Julho de 1959, em Nova York.

Até hoje é considerada, por mtos, a maior de todas as cantoras de jazz.





Informações sobre Billie Holiday: wikipédia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ventos desordeiros... Brillo de su mirar...



Toco seu corpo como um sol.
Pouco a pouco penetro seus poros.
Você permanece de olhos fechados.
Pareces sonhar solta no meu balanço.

Como não acordas misturo meu corpo
ao seu corpo com cordas.

Murmuro ventos desordeiros em teus ouvidos.
Costuro meus lábios com os filetes
que se desmancham em tuas pétalas abertas.

Caralho! Sou capaz de ouvir o sussuro
de sorrisos em tuas lágrimas.

Quando, enfim, abres os olhos,
me vejo emergir no brilho de teu olhar...




Toco su cuerpo como el sol.
Poco a poco perforo sus poros.
Permaneces de ojos cerrados.
Pareces a soñar suelta en mi columpio.

Cómo no despertas mezclo mi cuerpo
en su cuerpo con cuerdas.

Murmuro vientos alborotadores en su oídos.
Coso mis labios con los filetes
que desmoronan en sus pétalas abiertas.

¡Carajo! Llego a escuchar los sussuros
de sonrisas en las lágrimas.

Cuando, por fin, abre los ojos,
me veo emerger en el brillo de su mirar.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pedras e perdas... Sede de nuvens...



De maneira sinuosa lançou seu olhar pela luz q se fazia entre o vácuo e o vacilo. Sem nenhum prévio estribilho e sem explicação se deixou levar numa estranha dança pelo vão das hipóteses q surgiam entre um e outro pensamento.

Naquele momento todas as janelas pareciam abrir de forma ilógica. No entanto já não lhe perturbava a insistência de tantos em enxergar a vida por vias longas e tortas. Até q tinha sua lógica. Enfim, diante de tantos absurdos, não seria de todo ruim se acontecesse do mundo descobrir q deus era fêmea.

Na verdade nada tinha tradução. Tdo se revestia de possibilidades. Por uma cega e obediente crença preferia seguir as regras nunca ditas. Às vezes se sentia maldita, pois nem sempre conseguia ser explícita. Benditas dúvidas da natureza humana q lhe mantinha o equilíbrio.

Conscientemente não tinha a intenção de despertar nada além do indevido. Talvez por isso olhasse com atenção cada individuo q se interpunha entre o seu pensamento e o infinitivo pessoal e impessoal de seu desejo.

Sentia-se bem com isso. Sabia o qto se guardava e o tanto q ainda aguardava se conhecer a cada mistério desfeito. Já não conjugava a vida com tantos receios. Esse era seu único segredo. Mesmo assim, por ironia ou precaução, pisava nas pedras q encontrava pelo caminho como se fossem nuvens.




Montagem feita com as telas “Estrela perdida” e “Estudo de rosto de mulher loira”, do pintor francês William-Adolphe Bouguereau / 1825 - 1905

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A gota da água...



Sem lembrar com exatidão a extensão da prosa abriu as portas daquilo q parecia ser sua morada. Com olhos sonolentos tateou seu corpo demoradamente no espelho d'alma.

À sua frente uma estrada sem rumo a se perder...

Sem nada dizer e nem conseguir conter o q se mostrava inútil meteu a boca no lúdico e beijou de modo brusco o mundo e toda a sua falta de conteúdo.

Na sede do olhar cego q se lançava em suas curvas, sentiu o bater das gotas da chuva lavando as ruas e as amarguras na madrugada. Sem pensar em mais nada deitou no leito da estrada e se deixou levar embriagada.

Naquele dia bebeu a liberdade...



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Libertino... Libertango...



Sentiu no bailar do corpo
Um gosto de ir se libertando
No começo tocou mansinho
Sorrisos por todos os cantos

E foi se soltando, girando
Tocando calma a su’alma
Com a ponta dos dedos
Soltas a dançar um tango




Libertango é uma composição de Astor Piazzolla. O título é uma fusão de "Libertad" e "Tango", simbolizando uma quebra de paradigmas, no surgimento de um novo tango.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Enigma...



Com habilidade trapezista exibia no ar suas formas sinuosas e, em sua grande maioria, assimétrica. Postulava mais q possuía uma estética assaz frenética. Com isso alimentava instintos e suplícios de almas q se desmanchavam no igarapé onde costumeiramente mantinha a umidade interativa de suas asas.

Por nunca saber definir-se sobre a vida acreditava no q lia e repetia a exaustão em sua devida redoma de vidro. Qdo cortejada enaltecia um rubor q não tinha. Ao ter a mão beijada seu corpo se consumia em árias de notas sólidas.

- Dios mio, q desagradable! Que Chico lleno de entusiasmo!

Quando nervosa elevava o tom da prosa, quase sempre em teatral tom de desagravo. Enojada fingia execrar a revoada. Entretanto, isenta dos ditames, conduzia a matilha expondo malícias em seus lábios inflamados, envenenados de promessas e reclames recheados de quartas intenções.

Assim salpicava cores acesas pelos campos, com contos e metáforas construídas, conforme lhe convinha, com linhas imaginárias. Coisa q nem a todos se conta. Com elas passava seu tempo, acreditando q algum dia pudesse, enfim, assumir sua condição mundana.

Entretanto o tempo permanecia mudo...

Nesse mesmo tempo viu rosto coberto de marcas. Em silêncio enxugou as mágoas e continuou a encantar as almas.

Sem q se percebesse manteve-se em segredo, sem conseguir decifrar ou livrar-se do estigma, enigma cada vez mais pesado e difícil de suportar: Borboleta não ama. Borboleta tão somente se deleita, quando se deixam serem amadas...