quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Lua cheia de estrelas...



Ao andar pelas ruas lerei teu nome q um dia gravei entre as estrelas. Reverei a constelação de Léo, ao léu, ainda adornada com teu rabo de sereia.

Por certo dirás: - Bah! Mas q poeta cheio de travessuras!

No entanto, ao olhar para o chão verás o tanto q rabisquei teu cheiro na areia. Só então perceberás em tuas mãos pequeninos grãos de lua cheia.





Montagem sobre “noite estrelada”, de Van Gogh, com fotos de Katya Floriani e Marcela Griffin

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Prego...



Cruz credo! Haja luz na cabeça avestruz do clero

Pra ser sincero, não acredito e nem espero

O osso é de ouro. Toldo de um celestial tesouro

Soldo sagrado e manufaturado sob o manto do ministério

Ave Magia cheia das manias consagradas aos impropérios

Dança no ventre...



És rosa q madruga a sede e na cor da pele desabrocha
Gemidos diluídos, ensandecidos em prosas de alvorecer
Em tdo o q tu és sou éter do teu ser. Em sendo o q tu és
És frescor de terra q a raiz enlaça. Boca tatuada na taça
Ofício de um desejo exposto à brisa no despertar da flor
Amor feito de amoras, sementes de auroras e emoção
Esplendor de um querer desinibido nascido no agora
Danças de serpente em ventre enlouquecido de paixão

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lunik óbvio...


Poetas apaixonados, seresteiros tropeiros, romeiros endiabrados percorrei, com o q lhes resta de altivez, a dignidade dos abraços de suas deliciosas putas. Apagaram a luz no fim do túnel. Eis q é chegada a hora de sonhar e viver as derradeiras noites sem luar.

A bandidagem encurralada atira. A classe média carrega a bandeja e fura a fila. A autoridade cheia de pompa e oca de honra corrompe a lista. A juventude inutilmente tribalizada canta e dança sem entender a melodia.

Seguir rastros para não fomentar idéias e nem estragar os sapatos. Lustramos a bunda das estátuas, sem a mínima noção da dimensão dessa orgia.

A ciência não explica as baratas, nem a proliferação da idiotice. Mas aceita e transcreve a receita do q torna banal a atual vigarice. Bactérias ambulantes irrompem aos montes. A consciência coletiva não tem nome próprio. A falta de identidade é capital nas teorias de libertação.

Sei não, pela quantidade e a qualidade de certos indivíduos q alardeiam um lugar garantido no céu, desconfio q é melhor deixar q o diabo carregue. Por não ser um destino tão cobiçado, é bem provável q no inferno seja mais tranqüilo...





Clara referência e incidência proposital de Lunik 9, de Gilberto Gil

domingo, 6 de novembro de 2011

Los dominios del domingo...


O dia amanheceu em uma tarde preguiçosa
Sem fazer perguntas, sem querer respostas
Arrastou pela parede cinco perfumes de rosa

Depois dançou e lançou sementes do seu cheiro
Olhou-se no espelho e deu voltas à minha volta
Abraçado ao travesseiro pensei: - Que hermosa!

Abraçado ao travesseiro a olhei pelo espelho
Lançava sementes da tarde com seu cheiro
Dançava e dava voltas, exposta, à minha volta

Meu corpo sentia a noite, a boca e o gosto dela
Alma enlouquecida nas cores de sua aquarela
Então sonhei e me deixei ser levado por ela...

Carnívora...



Duas gotas em teu corpo
Bastam para meu corpo
Em ti percorrer a paisagem
Ao léu em majestoso céu
Na boca sabor e romarias
Elegias no despertar do dia
Cânticos em outros dias
Sinfonias ao te amanhecer

Deslizar por ribanceiras
Colher tuas cores nas flores
Lamber todo o perfume
Nas gotas do teu lume
Triangular farol posto anzol
Fisgar o bem de te querer
No Sol das cinco notas
Tua flor aberta a me comer





No ano de 1921, o perfumista Ernest Beaux desenvolveu a fragrância do Chanel nº 5 a pedido de Coco Chanel. Sua formula mistura essências de rosas, jasmins, sândalos e flores raras do oriente.

“Tudo q uso para dormir são duas gotas de Chanel nº5”
Marilyn Monroe



Recomenda-se, após a leitura, ouvir de olhos fechados a música "sensação" de Bruna Caram...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Êxtase...



Sonhar e se deixar guiar na luz do escuro. Enxergar cristais de segredos nos rios dos desejos. Ligar passado e futuro em um milionésimo do presente. Sonhar e ir a fundo, o máximo profundo, com a opção de ser espectador ou protagonista do próprio mundo.

Sonhar e se banhar de madrugadas. Desvendar a realidade de cada verdade com a exótica lente do lúdico. Pintar o corpo com as cores da lua. Amanhecer com a alma enfeitiçada e a pele molhada de tanta chuva.

Sonhar e se envolver com o abstrato, em saltos dados do alto de ribanceiras. Experimentar orgasmos feitos de espasmos e sobressaltos em trilhos de montanhas-russas.




The Ecstasy of St. Teresa, de Gian Lorenzo Bernini