domingo, 24 de abril de 2011

Amém...



Em nome do pai a filha divertia espíritos tontos

Queima total...



Não castre. Não mate
Não cobre. Não morra
Rasga de vez a fantasia
Solta logo essa porra!

Não se desdobre
Dobre a criatura. Recobre!
Na batida a dama sacode
Na cama leve onde pode

Esfrega sem regra
Corre, mas vê se não foge
Quebra o q prega. Entrega!
Requebra q explode

Bate! Rebate! Esperneia!
Soca na veia. Faz arruaça
Derruba castelos de areia
Vem me enche de graça

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Bobeira de Pedro... Pendão da esperança...



Pedro não era pedreiro, nunca tocou pandeiro, sequer tinha o dom da navegação.

Em compensação sabia lamber no mel qdo entrava em um bordel, além de ser amigo do rei Manuel. O suficiente para ser nomeado chefe da esquadra lançada ao mar atrás de algum advento q justificasse os proventos e tanta bajulação.

E lá foi Pedro, o q não tocava pandeiro, todo faceiro a contar dinheiro e lorotas nas fedidas xoxotas embarcadas na santa maria, pinta e nina. Eram treze, mas apenas estas couberam na rima.

Entretido e cantando hinos e vantagens sobre o vasco, o da gama, demorou a se dar conta do qto estava perdido do caminho q o levaria para os encantos das índias.

Então, aquele q não era marinheiro, sem querer inventou o primeiro jeitinho. Tornando-se precursor do q mais tarde seria patenteado brasileiro.

Após quarenta e três dias de enjoos e vômitos dizia-se arrependido. Maldizia com o q lhe restava de pulmão seu cargo. Estava decidido a se jogar do alto da caravela, qdo ouviu o grito salvador:
-Terra à vista!

De imediato Pedro, o precursor, deu um salto e exclamou:
- Puta q pariu! Onde enfiei meu pé de pato?

Enfiado na peruca cheia de piolhos a lhe coçar a nuca, aliviado soltou uma solene bufa. Havia encontrado o Brasil.

Encontrou, mas não curtiu. Bebeu, se abasteceu de pau, depois partiu. Foi embora sem descobrir o feitiço das mucamas ou o canto de jurema fazendo juras de amor. Não dormiu ouvindo o rock q a mulata fazia no meio da mata, nem provou da mágica do seu rabo encantador de serpente.

Sem experimentar seu jogo de cintura no samba. Nem as pernas bambas de tanto ela ensinar mil e três maneiras de fazer neston.

Coube a corte representar o império neste lado do hemisfério. Para não se cometer adultério foi decretado não haver pecado abaixo da cintura ou da linha do equador. Em meio a orgias, para desespero do ouvidor, o interventor broxou.

Pensou... Cafungou... Pensou... Temeroso do vulto, dominado pelo impulso, dividiu sua fantasia em capitanias. A partir de então, consagrado o percentual, além das hereditárias o erário estava liberado.

Condes e viscondes serviam-se abertamente de seus capitães no mato. Damas assanhadas engatinhavam com os olhos arregalados no majestoso pelourinho de seus escravos. Desnudas e despudoradas perambulavam nas senzalas, enquanto seus senhores admiravam as bundas alegres na rua da praia.

Ainda bem q Pero Vaz já não estava por esses lados. O q não se viu nunca existiu. Negar é a primeira regra até hoje seguida. Até qdo se é pego com a mão na botija.

Maldita mídia q não deixa ninguém surrupiar em paz. Se o galo canta a culpa é da vigília...

Passados mais de quinhentos anos ainda não se descobriu a razão. Na praia de Ipanema, assim como tantas, viver era mais simples e a alma não era tão pequena. Depois do cinema mudo veio o novo. Só não teve Colombo para ensinar como deixá-lo em pé.

Sacomé, santo de casa só faz seus milagres nas cercanias de Bagé. No toró é de dar dó...

De curso em curso o brasil se afogou no próprio discurso. Nada muda. Nem mesmo se o grito da muda romper a casca do ovo. Começa tudo de novo como rebento de gonzaga.

Eu não mudo. Ela não muda. O povo não muda. Nem as instituições. Há quinhentos e tantos anos somos todos mundanos. E continuamos, salvo engano, em nosso ofício de negar os próprios enganos.

Salve-se, ao menos, o lindo pendão da esperança. Pq a moral...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Achados e perdidos...



Todo dia o sol nascia querendo despertar a bailarina adormecida nas nuvens. Para mtos parecia natural e rotineiro. No entanto, por mais absurdo q fosse, tdo o q o sol queria era se fazer especial para ela.

Ninguém entendia os motivos q levaram mulher tão bela viver daquela maneira. Ocupados em seus afazeres, sequer imaginavam os segredos q ela carregava e guardava entre as nuvens. Mto menos o q acontecia depois q o sol sumia no horizonte, deixando as nuvens na escuridão.

Alguns pensavam em desilusão. Outros em decepção. Mas, nada disso parecia ser a real motivação. Quem havia visto a forma sedutora q ela se exibia na janela, percebia q ela, aparentemente, não demonstrava o menor sinal de preocupação. Nem questionar ou entender suas razões.

Como de costume, em casos envoltos pelo véu do mistério, havia mta especulação.

Uma falava de abandono e certo soldadinho de chumbo. Com ele descobrira o amor e sonhava desbravar os íngremes desfiladeiros q compunham o seu mundo. No entanto a frágil magia de sua inocência se desfez. Sem suportar a visão do seu possível amor ir embora mergulhou numa tristeza profunda. Ainda menina guardou seu coração numa caixinha de música e a jogo em um poço sem fundo.

Naquele navio partia o q repartiria sua vida e mudaria definitivamente o seu destino.

Embora mantivesse os dons musicais, era uma bailarina diferente das demais. Havia nela uma íntima sonoridade q destoava da forma como costumava se mostrar. Mtas vezes travava uma luta desumana para não parecer inconseqüente. Um luta em vão, pois a força q fazia seu coração bater era latente. Nessas horas seu corpo fervia e a alma descontrola revelava o q havia de mais indecente.

Apesar das finas carruagens e dos ricos adereços q lhe cobriam de ouro e prata, gostava mesmo era das emoções baratas achadas nas noites vazias e tardes vadias. Emoções q lambia com fartas gargalhadas. Pouco importando se ecoasse pelas valas da madrugada, sua essência puta, perdida e feliz.

Ser ou não era uma linha q a dividia e ao mesmo tempo demarcava os limites de seus medos. No íntimo continuava a menina q crescera sem saber onde encontrar seu brinquedo preferido. Uma mulher querendo saber em q ponto da vida esquecera a ternura de seus encantos. E eram tantos.

Talvez por orgulho não se deixava banhar em prantos. Preferia as luzes da ribalta, pois se escondia em coreografias decoradas e adornadas com o q restara das flores colhidas no corredor do tempo.

Por isso a bailarina não conseguia se imaginar em outro lugar. Ali residia a única possibilidade de se encontrar. Nas nuvens não tinha a preocupação com rastros e nem com dores dos amores inconclusos e passageiros. O tempo tratava de deixar para trás. Embora, por mais q tentasse, não conseguisse apagar.

Assim ela seguia. Tranqüila, bela e adormecida. Sonhando com o dia em q o sol não mais lhe despertasse para a realidade presa às inevitáveis correntes e correntezas. Vulnerável e volúvel. Exposta aos imprevisíveis temporais.

A despeito do tempo e do verbo. Fosse ele um passado presente ou sem futuro, o tempo seguia indiferente a tdo. Entre achados e perdidos a vida continuava passageira e bela, como a nuvem e sua bailarina adormecida.

sábado, 9 de abril de 2011

Morte em vida peregrina...

Pouco a pouco o corpo
Sem sentido expele o oco
Lógica sem razão de ser
A vida segue rota incógnita
Dentro dela sigo eu

No mar morto a natureza
Sobrevive cega... Eu grifo
O ego grita e se desmancha
Verso sem eco ou esperança
Só louco amou... Eu amei

Vento anzol... Tempo girassol...



O vento soprara forte o tempo inteiro. Tanto tempo havia se passado. Qtas vezes haviam observado a febre cobrir de amarelo as pétalas do girassol. Seguiam juntos o movimento contínuo de um destino menino, com seus corpos banhados e entregues aos desejos do sol.

Giravam e reviravam largados em beijos feitos lagartos grudados. Suaves. Suados. Encaixados. Como o peixe entregue ao seu destino, diante da morte, com a boca aberta enfiada no anzol. Eles descobriram borbulhar em suas veias a química mistura da dor e do prazer.

Qto mais giravam mais e mais se entregavam ao q emanava de seu bailado. Até mesmo qdo surpreendidos pela abrupta chuva, se despejavam encharcados e enlouquecidos, sem pensar em nada q não significasse vida.

Soltos no vento. Perdidos no tempo. Desprovidos de pudor. Ela provava damascos na mão de seu carrasco, sentindo na boca um gosto agridoce de uva. Ele brotava em delícias, com seus dedos enroscados na umedecida da vulva.

Sem q ninguém percebesse, o tempo se vestiu de uma silenciosa devoção e o vento fez o mundo girar fora de órbita lá fora. Exatamente como eles.

sábado, 2 de abril de 2011

O tamanco e o saltimbanco...



No tranco subia os barrancos. E eram tantos...

Por sorte gostava de tango. Embora não soubesse tanguear sempre se deixou levar, enfeitiçado pelo modo dela dançar, e um insinuante olhar q misturava o vicio da sedução ao soluço do pranto.

Mtas vezes pensou em acenar, mas nunca soube em qual bolso havia deixado seu lenço branco.

Sempre sentado no mesmo banco, se contentava em vê-la solta no tablado. O mesmo em q tantas vezes lhe rendera homenagens ao ritmo frenético de um mambo.

Nunca soube entender seu hábito de se vestir de branco. O q levava as pessoas pensarem se tratar de algum pai-de-santo. Não gostava de sapato. O único q usara havia sido um bico fino em preto e branco. Preferia alpercatas, visto q não apertavam; ou sandálias, q dizia ajudar trilhar lembranças e suportar inesperados solavancos.

Depois de tantos sonhos, sentindo o cansaço de tanta espera, resolveu se entregar aos encantos da menina de tamancos.

Diferente da Barbarella, esta não tinha ar de donzela. Não fazia questão de ser a mais bela, nem fingia ser a Cinderela extraída de algum conto.

Apenas disse: Espera! Sem mais nem menos. Sem se preocupar em dizer o qto...

Embora, em parte, não concordasse, ele sorriu de soslaio. Sem dizer nada passou a dar pulos em volta da cidade como um saltimbanco. E pronto.

Nada mais há para dizer por enquanto. Conforme o desenrolar da história, algumas partes, quem sabe, eu venho aqui e conto...