Incompleta, a alma desperta
Sem pressa abraça. Abriga
Na justa medida. Afaga
Suaves lampejos da fala, eu falo
Sem perceber deságua em meio
às brumas suaves. Fartas
Brisam desejos en tu besos
Ventos silentes de la luna
Vivas czardas, sua outra metade
Quiçá... Quiçá... Quiçá...
domingo, 12 de dezembro de 2010
Rito de passagem...
O vento passa.
Dentro de mim
Repasso o tempo
E me reinvento.
Respiro o momento
Anis seios de lírios
Meu grito acerta
O meio do rio.
Um rito de passagem...
Dentro de mim
Repasso o tempo
E me reinvento.
Respiro o momento
Anis seios de lírios
Meu grito acerta
O meio do rio.
Um rito de passagem...
Blood in the rain...

Entre as folhagens o pássaro se protege da chuva.
Cada gota cachoeira em seu corpo sem, contudo,
lavar desgostos nem limpar desilusões.
Na mesma água tenta saciar a sede e sossegar a emoção.
Aonde ir se o amor é cego e não tem morada?
Do q sorrir, se o sol não lhe seca as asas?
Sonhos afogados em lágrimas.
Pássaro solitário longe da ninhada
Pássaro sem passárgada, de asas molhadas
Solto no tempo, a sentir seu canto se perder
sem o brilho lúdico q um dia despertou auroras
Pássaro... Pássaro... Pássaro...
Sem passado e cansado de tanta chuva
Sem vontade de fugir e sem amor para cantar
O inquieto bico aflito rebusca
sonhos de uma primavera q suas asas não verão.
Lembranças na neblina da paisagem
Protegido tão somente no q lhe resta de folhagem
À espera do tempo incerto de prosseguir viagem
Sem vontade de seguir. Preso a temporais...
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Here come the sun...

Acordo e tomo um café. Debruçado na janela acendo o cigarro sem pensar em nada. No peito aberto trago o gosto margo q não cicatriza.
O horizonte continua distante. Ainda assim preparo minha partida com a alma repartida. Sem acreditar em rompantes. Sem pensar em romance
Calado apago o instante e o cigarro sem rebuscar os porquês. Fecho a porta e saio deixando a janela aberta.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Osso caroço... Serpente Buñuel...

O mundo anda corcunda com tanta dialética e bundas cheias de bossas diarreicas. Um toque aqui, outro retoque ali, mas ninguém preocupado em se limpar.
Faz-se festa até pelo q não presta. Até se exalta em samba a tentativa de retomada do território nacional. A macacada enlouquecida aplaude e pede bis. Tropicália é o Haiti dançando funk. Tudo arrepia. Só não dá liga. Um bolero capenga de dois para lá e nenhum para cá.
O amor é cego. A justiça é cega. Só falta furar os olhos do ursinho blau blau...
Depois do cristo crucificaram a laranja. Melancias rebolam torto à esquerda. A liberdade é passaporte diplomático.
No carnaval é preciso manter o sorriso enfático. No camarote a vista engrossa ao ver sua fêmea passar atracada no pescoço suado da plebe. Já não comove o mate derramado.
“Ela me leva à loucura. Ela tem um sabor de aventura. Todos dizem: ela é demais...”
Para o bem da coletividade politicamente correta continuamos santos. Parafraseamos. Esperneamos. Escondemos as causas. Exploramos os danos. No final de cada ano, um tanto Nostradamus, nos damos às mãos e entoamos um lindo perdão pela falta de esperança.
- Ah! Mundo sem caroço!
Disse o homem na beira do poço. Perplexo com o próprio reflexo.
A moeda tem dois lados. A serpente duas cabeças. Meninos armados até a múltipla potência tiram a tranqüilidade da nação.
De forma discreta a dama vive suas tramas e expõe seus dramas em álbuns e fantasias. Enquanto ela dança o mundo balança sua realidade absurdamente Buñuel.
Musica incidental: Meu Ursinho Blau Blau / Sérgio e Massadas
Faz-se festa até pelo q não presta. Até se exalta em samba a tentativa de retomada do território nacional. A macacada enlouquecida aplaude e pede bis. Tropicália é o Haiti dançando funk. Tudo arrepia. Só não dá liga. Um bolero capenga de dois para lá e nenhum para cá.
O amor é cego. A justiça é cega. Só falta furar os olhos do ursinho blau blau...
Depois do cristo crucificaram a laranja. Melancias rebolam torto à esquerda. A liberdade é passaporte diplomático.
No carnaval é preciso manter o sorriso enfático. No camarote a vista engrossa ao ver sua fêmea passar atracada no pescoço suado da plebe. Já não comove o mate derramado.
“Ela me leva à loucura. Ela tem um sabor de aventura. Todos dizem: ela é demais...”
Para o bem da coletividade politicamente correta continuamos santos. Parafraseamos. Esperneamos. Escondemos as causas. Exploramos os danos. No final de cada ano, um tanto Nostradamus, nos damos às mãos e entoamos um lindo perdão pela falta de esperança.
- Ah! Mundo sem caroço!
Disse o homem na beira do poço. Perplexo com o próprio reflexo.
A moeda tem dois lados. A serpente duas cabeças. Meninos armados até a múltipla potência tiram a tranqüilidade da nação.
De forma discreta a dama vive suas tramas e expõe seus dramas em álbuns e fantasias. Enquanto ela dança o mundo balança sua realidade absurdamente Buñuel.
Musica incidental: Meu Ursinho Blau Blau / Sérgio e Massadas
sábado, 4 de dezembro de 2010
Pela estrada afora...

Pela estrada afora seguia passageira de seus sonhos. Nem sempre precisava olhar pela janela para se sentir amada. Sabia mto bem o q havia por trás dos montes, e do qto seu pensamento subia cada vez mais alto nas escadarias de um calabouço cada vez mais iluminado.
Parte de si escondia segredos. A outra ardia tocando a pele umedecida de desejos.
A barca navegava em silêncio pela escuridão. O ventre preso por amarras q, apesar de seguras, não a impediam de sonhar. Queria mais. Cada vez mais. Queria ouvir as badaladas fortes dos sinos, em completo desatino.
Seu amor era cego e soprava loucuras nos ouvidos.
Não. Ela nunca iria cometer loucuras. O máximo a q se permitia, com extremada ousadia, era deixar se levar por temporais. Nada mais. Nada além de um desejo em se livrar do peso incômodo das roupas q usava, mas não lhe vestiam bem.
Protegida pela vidraça acenava para dentro de si mesma. Em seu íntimo queria o poder de parar o tempo com seus acenos. Parecia prender nas linhas da mão cada traço de um horizonte perdido n’algum ponto da estrada.
Jeannie sempre fora um gênio presa em sua invisível garrafa. Só q agora tinha no laptop o comando Enter e Stop.
Quando tulipas batiam palmas, a fêmea ganhava asas. Em cada ponto de parada retocava a maquiagem. Um café. Um guardanapo manchado de batom. Um anel e a lembrança das alianças.
A barca anunciou a partida. Mais uma vez ela se repartia. Dividida partia com o desejo preso em um arquivo oculto na memória do computador...
Parte de si escondia segredos. A outra ardia tocando a pele umedecida de desejos.
A barca navegava em silêncio pela escuridão. O ventre preso por amarras q, apesar de seguras, não a impediam de sonhar. Queria mais. Cada vez mais. Queria ouvir as badaladas fortes dos sinos, em completo desatino.
Seu amor era cego e soprava loucuras nos ouvidos.
Não. Ela nunca iria cometer loucuras. O máximo a q se permitia, com extremada ousadia, era deixar se levar por temporais. Nada mais. Nada além de um desejo em se livrar do peso incômodo das roupas q usava, mas não lhe vestiam bem.
Protegida pela vidraça acenava para dentro de si mesma. Em seu íntimo queria o poder de parar o tempo com seus acenos. Parecia prender nas linhas da mão cada traço de um horizonte perdido n’algum ponto da estrada.
Jeannie sempre fora um gênio presa em sua invisível garrafa. Só q agora tinha no laptop o comando Enter e Stop.
Quando tulipas batiam palmas, a fêmea ganhava asas. Em cada ponto de parada retocava a maquiagem. Um café. Um guardanapo manchado de batom. Um anel e a lembrança das alianças.
A barca anunciou a partida. Mais uma vez ela se repartia. Dividida partia com o desejo preso em um arquivo oculto na memória do computador...
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