domingo, 12 de setembro de 2010

Vôo cego... Espasmos violoncelos...




Com os olhos vendados
Ela percorreu um mundo
Desconhecido e encantado
Mergulhou em cachoeiras
Subiu e desceu ladeiras
Deu sobressaltos
Escalou montanhas tamanhas
Antes tristonhas, com sua aranha
Astuta lambeu bordas agudas
Gigantes botas agulhas

De olhos vendados
Ela se viu sem roupas
Saindo da crosta
Enxergou o q não atrevia
Atreveu-se até no q não sabia
Sorriu ao sentir seu corpo riscado
Deu pinotes como se dançasse xaxado
Amou... Devassou delírios aos gritos
Com as carnes em brasa abriu as asas
Num vôo lírico, em bicos colibris


Justiça seja feita. Qdo amanheceu ela não tirou a venda
Sentia-se bela e refeita...

Sir siriri... Mary top top...




Entre a razão e a emoção balança o pêndulo trêmulo das reações. No vai e vem percorre os trilhos e os sentidos de sua auto-concepção. Apesar da disparidade entre a ponta do iceberg q vem à tona e o q se esconde na região bestial.

Somos sequência e consequência de uma sociedade amamentada em leite azedado. São tantas cátedras, tantas táticas condicionadas, tantas estáticas tingidas, q me pergunto: afinal de contas, aonde queremos chegar?

Nesta peça de atores apáticos e pouquíssimas estrelas a claque aplaude sentada na merda.

A assistência finge q concorda. Os q acordam são facilmente teleguiados. Alguns silenciosamente discriminados. O q não serve colocado de lado.

Na loja de conveniências reagimos e assumimos posturas de acordo o figurino politicamente discreto. Tdo justifica a posse de uma apólice q nos garanta um elegante e seguro statos quo.

Como diria Zefinha, cujo ofício era vender mandioca na feira: Isso no cú fede!

Entre a razão e a emoção oscila o pavilhão desfraldado da vida. Desencana e se solta na dança! Se não há sentido, pq justificar? Adianta polemizar?
Toda noviça, além de rebelde, será sempre efêmera na pista. Só não poder dar na vista. Nem ser vista como Mary, q até hoje é pop, pq engole sem cuspir...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ciranda cigana. Amores de Bergerac...



Cinira era regada a regras e cirandas.

Educada nas nuvens, respeitado os limites de seu horizonte, sem dar trela às previsões de Nostradamus, atravessava viris madrugadas dando play em “my way” no smartphone.

“e agora q o fim está próximo, eu encaro meu desafio final...”

De tão calejada, Cinira não tinha nome. Apenas codinome.

Por vezes era cynara. N’outras cigana. Na maioria das vezes, deliciosamente mundana, vestia-se colorida para dançar ciranda.

Sorrisos de nuances “buchanan’s” faziam suas pernas virem à tona. Realces bordados no algodão, e um colo de “babar” recheado de obladis e obladás e ótras cositas más”.

Consumida por amores clandestinos vividos nos arredores de Bergerac, Cinira repartia um duvidoso romance de contos e farsas com cyrano. Bom partido transformado em bom marido, com quem repartia o lúgubre de seu lúdico caminho.

Quando adentrava os aposentos, por um momento liberta das amarras de seu martírio particular, Cinira tocava as carnes com doçura.

Gerúndio d’um prazer genuíno. Quase ingênua, quase infantil, redescobria-se entre cobertas, coberta unicamente pelos sentidos.

Entre amigos dizia curtir Coldplay.
Só assim poderia, tantas vezes fosse preciso, no aconchego, em sossego, dar seus replays em "my way”.

Só eu sei...




Feminina...

Nem deusa nem sereia
Há em seu olhar
Um apalpar q incendeia
A pele nua na areia
Clareia, por inteira,
no brilho de viço aluá...

sábado, 4 de setembro de 2010

Tomos ditongos... Melodias caipiras...




O aroma metálico da música de Pat Metheny desestrutura toda a minha tentativa em organizar os pensamentos. A ópera desalinhada de suas afinadas partituras se depara com a minha contradança repartida e solta no meio da rua. Nota por nota a melodia desfia fios em meios fios, desafiando a lógica e os caminhos da minha desorquestrada loucura.

Parte de mim mastiga meu coração já em pedaços. A outra metade trafega o absurdo de mais um dia assustadoramente calado. O q fazer se a alma indefesa desfralda a vida sobre a mesa, e com a mínima destreza resolve circular atrevida por entre as perdas e enganos? Nada há para se fazer. Mto menos o q temer. Responde de bate pronto a batida seca do querer.

Tomos ditongos arrepiados hablam tamancos. Aos trancos e solavancos Havana suspira desejos caipiras no peito americano do norte no sul. Olho para um céu sem estrelas e vejo refletido no espelho da bandeja, q por trás da cortina de nuvens tdo continua azul.

O piano refaz os planos e as rotas. O solo da guitarra percorre as notas e o perfume de lágrimas desferidas pelo sopro da gaita sobre a ferida. Embora vil, não há pecado nas clarineta e nem no metal do capital. Nada mais banal. O q ninguém soube e nem viu foi a música em festa perfurar arestas como uma flecha. Devassa. Surpreendente. Inquieta.

Carregando um cesto repleto de frutas suculentas e maduras, a santa serelepe chupa o caroço da manga sentada no pau de sebo. Aos beijos ela lambe os beiços e as veias numa via de mão dupla. Banhada de leite ela proclama-se profrana e sacra, derrubando cada uma de suas cruzes.

Bebo o suor q jorra da turva fronte. Escalo montes e montanhas além horizontes. Sigo adiante na tentativa de descobrir aonde brota o olho d’água de sua nascente. No silêncio do cais só me resta sorrir. Nada mais. Nessa hora os dedos Pastorius deslizam nas cordas do contrabaixo, despertando incompreensíveis ruídos no casco do barco ancorado. Logo mais o dia nasce, anunciando a hora de partir...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bê a bah pê aga dê... Lata foligata...


O q é claro reluz. O q é natural induz. Os ritos não precisam de mitos. Assim como a verve escorre sem se alimentar de gritos, os agitos são brilhos q pipocam e dão sabor a pele. Depois da inteligência artificial nada mais deveria surpreender. Até o q se articula sem falas, mas q a mente sorridente exala ainda q tente esconder. Por mais q se interprete verbetes e codinomes codificados, tdo permanece gravado na calada da noite em q a musa nada muda se rebela na passarela.

Mesmo q as lentes pesadas da desilusão insistam em decifrar a confusa equação, nem tdo é tão fácil de resolver. Nem sei se tem pq. Por quem os cílios dobram é outra história q eu ainda penso em descrever. No planeta terra tdo invariavelmente deságua nas águas do q haveria de ser. No meio do quarto a menina continua dançando com seu invisível bambolê e Salomé nem desconfia, mas do lado de lá é grande a fila de cabeça querendo se perder.

Quem me salvou morreu de overdose tocando guitarra. Jimmy geme na cachopa sem roupa. Graças a ele meu coração continuou ateu. Se bem q ele gostaria de estar mto bem atracado ao teu. Tem dias q acordo caçador. Em outros amanheço deitado num andor sem pensar em vestir minhas calças.

Viver definitivamente é uma cachaça. O q complica é navegar neste oceano empestado de fariseus. Toca o sino e chama o síndico, Zeus e belzebu. Eu não passo de um brucutu a girar pelos polos exóticos q compõem os trópicos deste continente in blues.

Nunca gostei de usar carteira. Meu RG sempre está em algum lugar q eu nunca sei onde fica. Meu título de eleitor, q horror, se perdeu numa revista no aeroporto de Cumbica. Minha identidade é uma verdade q não necessita de assinatura ou certidão. Tenho tdo na palma da mão.

Nem sempre pareço ser o q sou qdo abro minhas asas de sonhador. Nessas horas me encho de graça. Minh’alma não ilude e nem disfarça q assume os vícios q embriagam. Por vezes me valho de adereços, mas não preciso de pretextos para dançar na folia dos textos pê aga dês da foligata. Em cada linha um trem desalinha no afiado olhar de sua faca. Com precisão cirúrgica constata o q há tempos Fernanda nada young com seu swing cantava: a verdade, meu bem, sempre acontece na lata.

Que danada arretada!

Óbvios nódulos... Operandi modus...


Por acaso o mundo seria mais lúdico sem as famigeradas meias palavras? Para q serve palavras q não falam?

Palavras entrecortadas a gaguejar em bocas q se fingem santas. Afogadas nas espumas sem ter o q dizer. Sílabas perdidas em meias palavras. Fingidas. Surradas. Sussurradas de maneira devassa.

No jogo da velha o pulo é mais q sobressalto. Ela sabe q no lodo não se finge de morto, nem se cobre o cu do mundo.

Como seria se, num passe de mágica, a humanidade liberasse suas máscaras?

Doravante o instante existiria no estopim do rompante. Virtudes aos balaios. Sentimentos sem ensaios. Tudo tão exato q afugentaria os males. Os puristas e suas meias verdades, na penumbra da intimidade, se assustariam com a disciplina de suas maldades.

Se porventura as meias palavras acabassem, quem sabe o mundo explodiria no apocalipse dos ciúmes e das crendices. Traições e vigarices. Não existiria nem o certo nem o errado. Existiria o fato. Fosse ele definitivo ou abstrato.

Ninguém se arvoraria detentor da verdade. A mentira, por falta de uso, daria lugar à beleza da cumplicidade.

É certo q nem todos sobreviveriam. Alguns desistiriam. Os loucos se atreveriam no existir na claridade dos contrapontos, na possibilidade de encontros e da felicidade.

Mtos, enfim, entenderiam q luz não se define nem se comprime em meias palavras. Na escuridão não se revela a intensidade de sua monstruosidade...